Dez entidades do Rio que assinam carta aberta defendem política de ordenamento ‘à altura do seu principal ativo turístico’ 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sem serem coibidos, camelôs expõem cangas na areia e biquínis em guarda-sóis na orla de Ipanema — Foto: Guito Moreto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/07/2026 - 23:12 Entidades do Rio pedem ordenamento urgente nas praias de Leblon e Ipanema Dez entidades do Rio de Janeiro assinaram um manifesto pedindo ordenamento efetivo das praias do Leblon e Ipanema, destacando que o comércio irregular "saiu do controle". A carta, destinada ao secretário de Ordem Pública e à Câmara Municipal, enfatiza a necessidade de planejamento e fiscalização para preservar a imagem turística da cidade. As entidades ressaltam o impacto negativo da desordem urbana sobre turistas e propõem regulamentação para garantir segurança e sustentabilidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “O comércio irregular da orla saiu do controle”, diz um trecho do manifesto lançado por dez entidades dos setores comercial e turístico, num contra-ataque para tentar conter a desordem. A carta aberta “Por uma orla que orgulha o carioca” foi encaminhada ao secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, e à Câmara Municipal do Rio. Nela, os autores defendem “uma política de ordenamento à altura do seu principal ativo turístico”. Os signatários afirmam que o que se vê no calçadão e na areia não é informalidade pontual, mas ocupação sistemática. “O turista, que deveria levar a melhor lembrança da cidade, vira alvo fácil de uma lógica em que o preço muda conforme a cara, o sotaque ou a falta de familiaridade com o lugar”, assinalam. Para o presidente da seccional do Rio da Associação Brasileira de Agentes de Viagem (Abav-RJ), Marcelo Siciliano, um dos que assinam a carta, a solução para o problema passa por ações permanentes de planejamento, fiscalização e diálogo com os diferentes segmentos envolvidos, para o cumprimento de regras: — O objetivo deve ser garantir uma orla organizada, acolhedora e sustentável. Presidente-executivo do Visit Rio, Luiz Strauss cita o impacto na imagem do Rio como destino turístico e também defende uma atuação mais efetiva da fiscalização para o cumprimento de regras e de exigências sanitárias para alimentos e bebidas. ‘Corredor polonês’ Outra entidade que assinou o manifesto foi a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ). Presidente do Conselho Deliberativo da ABIH-RJ, Alfredo Lopes destaca que a desordem urbana transmite insegurança para os turistas, especialmente para os visitantes internacionais: — Agora, estão sendo colocadas barracas de costas para o meio-fio, um verdadeiro corredor polonês para as pessoas que passam pelo calçadão. Esse cenário não se restringe à Zona Sul e também pode ser visto na Barra e no Recreio. Já o presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Rio) enumera problemas de ordem sanitária, de viabilidade financeira dos negócios formais e de segurança e ordenamento. — Poderia haver espaços determinados pela prefeitura onde esses comércios possam ser instalados, com cobrança e obrigatoriedade de terem CNPJ e pagamento de taxas — propõe. O diretor-executivo do Sindicato de Bares e Restaurantes, Sérgio Abdom, assinala o papel fundamental da orla para o turismo, a economia e a gastronomia da cidade: — Por isso, preservar sua organização e qualidade é um interesse de todos. Presidente do Conselho Empresarial do Ecossistema do Turismo da Associação Comercial do Rio, Pedro Guimarães, por sua vez, reforça a necessidade de apoio da Prefeitura e do governo do estado “para combater a informalidade ilegal e valorizar quem trabalha na legalidade”. Em nota, a Orla Rio, concessionária que administra quiosques do Leme ao Pontal, destaca que “o ordenamento público é fundamental, prioritariamente, para proteger e respaldar os empreendedores formais, que operam estritamente dentro da legalidade, gerando empregos e movendo a engrenagem econômica da cidade”. Além disso, diz que “a manutenção da ordem é o pilar indispensável para garantir a sensação de segurança que cariocas e turistas necessitam para desfrutar da praia”. Assinaram ainda o manifesto a Associação dos Promotores de Eventos do Setor de Entretenimento e Afins (Apresenta) e a Cooperativa dos Quiosqueiros da Orla Carioca (Coopquiosque). — Temos que manter o negócio dentro da linha. E concorremos com gente que não tem o menor compromisso com a legalidade — desabafa João Lameirinhas, presidente da Coopquiosque.