0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo O Republicanos encomendou uma pesquisa de opinião para consumo interno com o objetivo de bater o martelo sobre o posicionamento do partido nas eleições de outubro. O levantamento, programado para ser entregue à cúpula da legenda no próximo dia 10, vai balizar a decisão sobre embarcar na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) ou adotar neutralidade na disputa entre o filho de Jair Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi confirmada à equipe da coluna por uma liderança da sigla que falou sob reserva e admitiu que o cenário segue aberto mesmo a três meses da corrida presidencial. A definição do Republicanos é aguardada com apreensão pela pré-campanha de Flávio. Como contamos no blog na última segunda-feira, o presidenciável do PL tem a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques como sua vice ideal, mas o fato dela ter se filiado ao partido em abril sem consultar suas lideranças tem dificultado a costura, já que ela não é um quadro orgânico do partido. Entre os principais pontos a serem testados na pesquisa encomendada pela legenda é o impacto de uma possível neutralidade na disputa sobre a eleição das bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, assim como os reflexos de um eventual endosso ao projeto bolsonarista diante da alta rejeição de Flávio. A avaliação passa não só pelas vagas em disputa no Congresso, mas também pelos palanques regionais em que o PL e o Republicanos não estão coligados até o momento. O pré-candidato ao Palácio do Planalto tem pressa: desde a eclosão da crise familiar envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sua campanha tem tentado frear o desgaste junto ao eleitorado feminino, o que pode inclusive apressar a definição de uma mulher como companheira de chapa. Mas, no calendário do Republicanos, isso significa que a escolha de Daniella Marques ocorreria duas semanas após o estopim da briga familiar, o que no cenário político atual representa uma enormidade. Até então cotada como possível ministra da Fazenda em um eventual governo Flávio, Daniella passou a ser cogitada para a chapa presidencial junto com outras políticas de direita como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e deputadas federais do PL e do PP. Além da preferência pela ex-presidente da Caixa, a entrada do Republicanos ampliaria o tempo de TV e de rádio da chapa do PL frente a Lula, que hoje é apoiado por seis partidos além do PT. Já o PP de Tereza Cristina e o União Brasil, que formam uma federação, tendem a aderir à neutralidade. Os partidos chegaram a flertar com a campanha bolsonarista, mas a reação de Flávio Bolsonaro à operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também foi cotado como seu vice, no âmbito do caso do Banco Master irritou o parlamentar e a cúpula dos partidos e diminuiu as chances de uma aliança formal. Entre Bolsonaro e Lula Em 2022, o Republicanos integrou a chapa de Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição, ao lado do PP – o União Brasil lançou a senadora Soraya Thronicke (MS), atualmente no PSB. Apesar da composição plural, o então presidente insistiu em uma chapa pura e escolheu como vice o ex-ministro Walter Braga Netto, hoje preso pelo envolvimento na trama golpista. Antes do ex-presidente, que também está preso e inelegível até 2030, escolher o filho mais velho para representar o bolsonarismo na corrida pelo Planalto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) era cotado para disputar a presidência com o apoio do Centrão. No governo Lula, o partido controlou o Ministério dos Portos e Aeroportos através de Silvio Costa Filho (PE), que pertence à ala governista da sigla, além de cargos em outros escalões. Enquanto os diretórios do Nordeste e do Norte tendem a caminhar com a campanha lulista, as demais regiões do país estão mais inclinadas à direita.