Hernán Gil trabalhava em seu turno como vigia no subsolo de um prédio na Venezuela na tarde de 24 de junho, quando sentiu uma sacudida no chão. O primeiro tremor foi curto, contou Gil em entrevista à agência AFP no quarto do hospital, onde se recupera após ter sido resgatado das ruínas do prédio em que passou oito dias soterrado após o duplo terremoto que devastou o norte do país e deixou 3.342 mortos.

"Já o segundo foi fortíssimo", acrescenta o homem de 43 anos, que lembra ter ficado imóvel dentro de sua guarita por nervosismo. Ele ouviu um morador dizer do estacionamento que era um terremoto. Em seguida, "tudo desabou".

Gil sentiu tudo cair. Pedras o atingiram na parte de trás da cabeça e em um olho. "Fiquei como que inconsciente no momento. Quando acordei, tudo estava escuro", conta. "Daí pra frente, tudo era incerteza."

Ele não via nada, nem ouvia ninguém. Tentou chamar o morador, que tinha visto pela última vez antes de ser engolido pela terra, "mas nada"."E nesse momento, o desespero me pegou muito", disse o homem, que começou a gritar, pedindo socorro, mas sem ouvir resposta. Na escuridão, parcialmente ajoelhado, com pouco ar e praticamente imóvel, sentiu uma réplica após a outra. "Sentia que a parede estava me amassando completamente", acrescenta.