Alex Ferguson escreveu em sua primeira biografia ("Managing my life") se lembrar do momento em que mais precisou de um conselho. Procurou Jock Stein, o rei sol dos técnicos escoceses, em 1978, para perguntar o que deveria fazer. Trocar o St. Mirren pelo Aberdeen ou ficar onde estava?
"Vá às arquibancadas do estádio do St. Mirren, olhe para o campo e se pergunte: ‘eu me vejo aqui pelos próximos cinco anos?’", foi a dica do treinador que levou o Celtic ao título europeu de 1967 apenas com jogadores nascidos em Glasgow e arredores.
Ferguson foi para o Aberdeen e, pelas temporadas seguintes, destruiu o duopólio de Celtic e Rangers no país. Na final da Recopa de 1983, derrotou o Real Madrid. Um resultado impensável nos dias de hoje.
Até a aposentadoria, em 2013, após 27 anos no comando do Manchester United e, mesmo depois, o que mais ouviu foi pedido de conselhos de colegas. Tal qual seu mestre Stein, ele se transformou no Don Corleone do futebol britânico, uma espécie de oráculo dos técnicos pela Europa.
"Somente uma pessoa preparou mais jogos do que eu: Alex Ferguson, que preparou mais de 2.000 jogos. Então eu obviamente aceito conselhos de todo mundo, mas o único que poderia ser mais indicado para me dar conselhos seria Alex Ferguson", disse Carlo Ancelotti à Folha, antes da partida deste domingo (5), contra a Noruega, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.







