O Puente foi um programa criado pelo governo do Chile em 2002 e tinha como foco levar à dignidade famílias que viviam em situação de extrema pobreza. Como o próprio nome diz, a proposta criou uma ponte entre os chilenos mais pobres e todos os muitos serviços públicos que o país oferecia e não chegavam a quem mais precisava.
O primeiro componente do programa consistia em visitas domiciliares por agentes especializados em diagnóstico e aconselhamento personalizado na superação da pobreza. Ao serem beneficiários do programa, os chilenos vulneráveis recebiam o equivalente a um cartão VIP que lhes garantia acesso prioritário a todos os serviços públicos disponíveis no território.
O Brasil possui hoje Bolsa Família, Farmácia Popular, Cozinhas Solidárias, o Sistema S com oferta de qualificação profissional, Escolas em Tempo Integral, Vale Gás, BPC, Minha Casa Minha Vida, entre tantas outras intervenções. No entanto, o acesso a esses programas envolve alguma burocracia e não temos nada equivalente a um acesso privilegiado dos mais vulneráveis. Também nos falta uma ponte?
Até agora, o modelo proposto pelo governo brasileiro, dos próprios pobres buscarem os serviços, não parece ter sido suficiente para erradicar a pobreza. Ou nossos serviços não estão acessíveis a quem mais precisa deles, e o governo precisa de um agente que vá até as famílias e as ajude no acesso. Ou nossos programas não são capazes de levar à superação da pobreza.









