A nova unidade da Microsoft para ajudar empresas no trabalho técnico e estratégico envolvido na implementação da inteligência artificial, a Microsoft Frontier Company, será comandada por um brasileiro. Em comunicado no blog da empresa, o CEO de Negócios Comerciais da Microsoft, Judson Althoff, informou que o escolhido para liderar a nova divisão foi Rodrigo Kede Lima, executivo com 30 anos de experiência no setor e atuando nos últimos seis anos na Microsoft, onde liderou transformações em escala empresarial como líder de vendas nas Américas e na Ásia. O executivo terá a missão de liderar os esforços da Microsoft para integrar engenharia de IA aplicada, consultoria para empresas, capacidades de transformação, conhecimento especializado da indústria e frameworks de modernização operacional, visando ajudar as organizações a extrair mais valor de seus dados e de sua propriedade intelectual de negócios. "Ele esteve na linha de frente ajudando clientes e parceiros a traduzir mudanças tecnológicas em resultados de negócios e a compreender como inovação de plataforma, engenharia e colaboração com o ecossistema de parceiros se unem para impulsionar o crescimento", disse a empresa. Desde que ingressou na Microsoft, em 2020, Rodrigo ocupou diversas posições de liderança, incluindo a de presidente de Enterprise para as Américas, onde foi responsável por todas as contas corporativas no Canadá, na América Latina e em três Unidades Geográficas Operacionais dos Estados Unidos. Antes de ingressar na Microsoft, Rodrigo desempenhou diversas funções nacionais e internacionais na IBM, incluindo os cargos de presidente da IBM Brasil e presidente da IBM para a América Latina. Possui sólida experiência em finanças corporativas e liderou importantes iniciativas no setor de tecnologia. Rodrigo é formado em Engenharia Mecânica e de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), possui MBA em Finanças/Mercado de Capitais pelo INSPER, em São Paulo, e também concluiu o Advanced Management Program (AMP), turma 192, da Harvard Business School. Rodrigo já viveu e trabalhou nos Estados Unidos, na Ásia e na Europa. É casado, pai de dois filhos e, nas horas vagas, gosta de surfar, andar de bicicleta, ler e viajar com a família. Foco em IA A Microsoft pretende investir na nova unidade operacional, a Microsoft Frontier Company (MFC), US$ 2,5 bilhões e alocar 6 mil especialistas em indústria e engenharia, que trabalharão junto aos clientes para cocriar, inovar em conjunto, implementar e melhorar continuamente sistemas de IA em escala com base em resultados de negócios mensuráveis. Apesar da intenção de aprofundar a relação com seus clientes, a Microsoft disse que sua abordagem levará em conta um princípio inegociável em que os dados, a propriedade intelectual e a vantagem competitiva do cliente não serão usados para treinar modelos de forma que aquilo que os diferencia em seu setor se torne uma commodity. — As habilidades necessárias para fazer isso são bastante específicas. Temos pessoas que trabalharam por 20 anos nos setores bancário, de varejo, energia e ciências da vida — afirmou Judson Althoff em entrevista à Bloomberg TV na quinta-feira. Segundo Althoff, trabalhar mais de perto com os clientes permitirá ajudá-los a implementar a IA de forma mais eficiente e, ao mesmo tempo, fornecerá informações que orientarão as decisões da Microsoft sobre o desenvolvimento de novos produtos. Tradicionalmente, os fornecedores de software deixavam esse tipo de trabalho de implementação, que possui margens de lucro menores, a cargo de empresas de consultoria. No entanto, na era da IA, muitas companhias perceberam que as empresas precisam de um apoio maior para implantar ferramentas de ponta. A ideia de criar essa nova organização surgiu, em parte, devido à preocupação dos clientes com o aumento dos custos da inteligência artificial, disse Althoff. Segundo ele, a Microsoft pode ajudar essas empresas a otimizar o uso da IA, por exemplo, substituindo modelos mais caros por alternativas de menor custo quando isso fizer sentido.