Embarcação com cerca de 2 mil passageiros deixará de passar por Kuşadası e Istambul após decisão das autoridades turcas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O cruzeiro de dez dias a bordo do Scarlet Lady, da Virgin Voyages, deve reunir cerca de 1,9 mil passageiros — Foto: Pexels RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 06:36 Turquia impede cruzeiro LGBTQ+ de atracar, citando "valores morais" locais A Turquia proibiu um cruzeiro LGBTQ+ de atracar em seus portos, alegando que os passageiros ferem "valores morais" locais. O cruzeiro, organizado pela Atlantis Events, foi forçado a alterar seu itinerário, trocando escalas em Kuşadası e Istambul por paradas no Cairo e Creta. Esta decisão ocorre em meio a uma postura mais rígida do governo turco contra a comunidade LGBTQ+. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Turquia proibiu que um cruzeiro fretado para viajantes LGBTQ+ dos Estados Unidos atracasse em portos do país, alegando que o perfil dos passageiros é incompatível com os "valores morais" e os "padrões familiares" defendidos pelas autoridades locais. A decisão obrigou a organizadora Atlantis Events a alterar o roteiro da viagem, que partirá de Atenas, na Grécia, no próximo dia 5 de julho, substituindo as escalas em Kuşadası e Istambul por paradas no Cairo, no Egito, e na ilha grega de Creta. Empresa diz que veto ocorreu por causa do perfil dos passageiros Segundo a Atlantis Events, o cruzeiro de dez dias a bordo do Scarlet Lady, da Virgin Voyages, deve reunir cerca de 1,9 mil passageiros, dos quais aproximadamente 1,1 mil são norte-americanos. Também há viajantes do Reino Unido, Canadá, Austrália e outros países. Em comunicado enviado aos clientes, a empresa informou que as escalas na Turquia foram canceladas "devido a circunstâncias fora do nosso controle", após decisão das autoridades locais. Em nota, as autoridades da província de Aydin, onde fica o porto de Kuşadası, afirmaram que o navio foi fretado por grupos "conhecidos por comportamentos incompatíveis com o tecido da nossa sociedade e os nossos valores morais", acrescentando que "não há absolutamente nenhuma possibilidade de o grupo em questão visitar a nossa província para um evento desta natureza". O presidente e CEO da Atlantis Events, Rich Campbell, afirmou à CNN que a justificativa apresentada pelas autoridades foi o fato de o grupo ser formado por passageiros LGBTQ+. — É bastante chocante, para ser honesto. O argumento por trás disso é que se trata de um grupo gay — declarou. Campbell afirmou que, em 36 anos de atuação da empresa, esta foi a primeira vez que recebeu uma proibição explícita para atracar em um destino por causa do perfil dos passageiros. — É muito preocupante quando um país decide que pode escolher quais turistas podem entrar e quais não podem. Esta não é uma organização política. Nosso único propósito é gastar dinheiro, nos divertir, fazer passeios e respeitar ao máximo todas as culturas que visitamos — disse. Até o momento, o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, a embaixada turca em Washington e a Virgin Voyages não manifestaram sobre o caso. A decisão ocorre em meio ao endurecimento da postura do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan em relação à comunidade LGBTQ+ nos últimos anos. Organizações de direitos humanos criticam o aumento da retórica contra esse público, enquanto as marchas do Orgulho LGBTQ+ em Istambul permanecem proibidas desde 2015, sob a justificativa de preocupações com a segurança pública. Além disso, segundo Campbell, a polícia realizou uma operação em um bar de Istambul após a circulação de um panfleto que anunciava uma festa ligada ao cruzeiro. O executivo negou qualquer vínculo da Atlantis Events com o material.