O senador chama o caso de “a maior fraude bancária na história” do Brasil e afirma que as investigações têm revelado uma proximidade de Vorcaro da estrutura do governo federal Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência — Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, atribuiu o escândalo das fraudes no Banco Master a membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e omitiu o fato de que ele próprio pediu dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em documento enviado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na quarta-feira (1º). Flávio também pediu a suspensão da aplicação de tarifas aos produtos brasileiros. No material encaminhado aos americanos, o senador chama o caso de “a maior fraude bancária na história” do Brasil e afirma que as investigações têm revelado uma proximidade de Vorcaro da estrutura do governo federal. As investigações sobre o Master estão em curso e, até o momento, não indicam envolvimento do governo federal. O texto de Flávio omite as suspeitas de conexão de integrantes da direita e do Legislativo com o escândalo e menciona somente figuras ligadas a Lula, como o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA), e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que não é mencionado nas apurações. Todos os citados pelo senador negam qualquer atuação ilícita ou indevida relacionada ao Master. A exemplo de Wagner, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro do governo Bolsonaro e aliado de Flávio, foi alvo de buscas e apreensão. O parlamentar também negou ter atuado em favor de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. “O segundo é o escândalo do Banco Master, descrito como a maior fraude bancária na história do país, cuja investigação tem exposto uma teia de conexões entre o controlador do banco e o aparato governamental: o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado como consultor; o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório de advocacia foi contratado pelo banco pouco tempo após ele deixar o ministério; senador Jaques Wagner, o líder do governo no Senado, que teria recebido benefícios indevidos; e o próprio presidente [da República], que teria recebido o controlador do banco fora da agenda oficial e teria o aconselhado a não vender o banco’, declara o documento. Flávio deixa de fora dessa descrição, entretanto, o fato de que ele próprio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, como revelou o site The Intercept. O senador confirmou ter trocado mensagens com o ex-banqueiro e ter pedido dinheiro a ele. Flávio também não menciona a apuração envolvendo Ciro Nogueira, que teria recebido uma “mesada” do ex-banqueiro, segundo a PF. O senador ainda menciona que Vorcaro contratou o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Viviane nega a existência de qualquer irregularidade no contrato com o Master. “Esse mesmo escândalo chegou ao tribunal que agora conduz a perseguição da oposição: o escritório de advocacia fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, agora gerenciado pela sua esposa e filhos, teria sido contratado pelo controlador do banco por cerca de R$ 129 milhões, com um segundo parente de um ministro do STF também ligado ao esquema [do Master”, diz Flávio.