A crescente constelação Leo da Amazon, que se aproxima de 400 equipamentos, desponta como nova concorrente da Starlink, da SpaceX, que já possui cerca de 10 mil satélites em operação Projeto da constelação de satélites da Amazon, em foto de arquivo — Foto: Foto: Divulgação/Amazon A Amazon espera lançar ainda neste ano o serviço inicial de internet por meio de sua rede de satélites de banda larga Leo, depois que o mais recente lançamento da empresa elevou para mais de 390 o número de satélites da constelação em órbita, afirmou um executivo da companhia, nesta quinta-feira (2). O lote mais recente, com 29 satélites, foi lançado da Flórida na manhã desta quinta-feira (2) a bordo de um foguete Atlas V, da United Launch Alliance (ULA). Essa foi a 14ª missão da empresa, de dezenas ainda planejadas, para colocar em órbita mais de 3.200 satélites que fornecerão cobertura global de internet a partir do espaço. “Ainda há muito trabalho pela frente, incluindo elevar todos esses novos satélites até sua altitude designada”, escreveu Chris Weber, responsável pelo projeto Leo na Amazon, em uma publicação na rede social X. “Mas já concluímos lançamentos suficientes para iniciar o serviço ainda neste ano, e as próximas missões apenas ampliarão a cobertura e a capacidade.” Weber não informou em qual região a Amazon pretende iniciar o serviço, mas a expectativa é que a operação comece perto dos polos Norte e Sul e se expanda gradualmente em direção à linha do Equador à medida que novos satélites forem adicionados. A constelação conta atualmente com 394 satélites em órbita, de um total de 398 lançados desde abril de 2025, segundo Jonathan McDowell, analista do setor espacial e astrônomo da Universidade Harvard. A crescente constelação Leo desponta como uma nova concorrente da Starlink, da SpaceX, que já possui cerca de 10 mil satélites em operação. Assim como a Starlink, a Amazon pretende oferecer internet para consumidores por meio de terminais Leo — que variam de modelos do tamanho aproximado de um notebook até versões maiores e mais potentes —, além de atender governos e empresas, como companhias aéreas. A Amazon vinha trabalhando com a meta de iniciar o serviço em meados de 2026, apoiada em contratos de lançamento de foguetes que somam dezenas de bilhões de dólares para colocar seus satélites em órbita. O Atlas V, da ULA, tornou-se o principal veículo de lançamento da rede, enquanto os outros foguetes que a Amazon pretende utilizar — o New Glenn, da Blue Origin, e o Vulcan, da ULA — permanecem impedidos de voar. Um foguete New Glenn explodiu na plataforma de lançamento no mês passado, destruindo a torre de lançamento e outros equipamentos. O diretor-presidente da empresa, Dave Limp, espera retomar os lançamentos do New Glenn até o fim do ano, enquanto engenheiros concentram as investigações na seção dos motores do foguete para identificar a causa da explosão. O novo foguete Vulcan, da ULA, contratado para realizar pelo menos 40 missões do projeto Leo para a Amazon, também continua impedido de voar devido a um problema na separação de um dos motores-foguete de combustível sólido ocorrido em fevereiro. O Vulcan utiliza os mesmos motores BE-4, fabricados pela Blue Origin, empregados no New Glenn, e seu retorno às operações pode sofrer novos atrasos caso a Blue Origin conclua que esses motores foram responsáveis pela explosão do New Glenn. A porta-voz da ULA, Jessica Rye, afirmou que os engenheiros da Blue Origin “estão sendo transparentes conosco enquanto conduzem a investigação. Se houver elementos em comum envolvendo os motores BE-4, colaboraremos com a equipe para identificar a causa raiz e resolver o problema”. A Amazon possui cerca de 100 lançamentos de foguetes contratados, em acordos avaliados em pelo menos US$ 82 bilhões, para construir sua constelação. Entre seus outros fornecedores de lançamentos, estão o foguete Ariane 6, da francesa Arianespace, e o Falcon 9, da SpaceX, foguete parcialmente reutilizável que tem sido fundamental para a implantação da própria constelação Starlink.