Relatório diz que eventual venda de reservas pela Strategy pode ampliar incerteza e volatilidade no mercado de bitcoin O fundador da Strategy, Michael Saylor, durante a conferência Bitcoin 2025 — Foto: Ronda Churchill/Bloomberg O J.P. Morgan Chase & Co. alertou que a reformulação da estratégia de financiamento da Strategy Inc., de Michael Saylor, mudou a dinâmica do mercado de bitcoin ao introduzir o risco de que uma das maiores compradoras da criptomoeda também possa se tornar vendedora, acrescentando uma nova fonte de incerteza para os investidores. A nova política da Strategy de vender bitcoin seletivamente para financiar dividendos de ações preferenciais e administrar seu balanço criou um risco “evitável” de fluxo em duas direções para o mercado, escreveu o banco em relatório divulgado na noite de quarta-feira. Embora a manutenção de reservas de caixa maiores reduza a probabilidade de novas vendas, o J.P. Morgan argumentou que a companhia precisaria de liquidez suficiente para cobrir de dois a três anos de pagamentos de dividendos antes que investidores tenham confiança de que ela não precisará monetizar suas reservas de bitcoin. Como a Strategy é uma das principais fontes de demanda no mercado de bitcoin, a recalibragem feita por Saylor em sua estratégia inicial de comprar e manter o ativo é particularmente importante. A Strategy comprou aproximadamente US$ 8,2 bilhões em bitcoin neste ano, respondendo por cerca de 70% dos fluxos líquidos estimados para ativos digitais no acumulado do ano, segundo o J.P. Morgan. Suas reservas representam cerca de 4,2% da oferta total de bitcoin. “Com a avaliação da companhia inextricavelmente ligada ao preço do bitcoin, mais incerteza e volatilidade nos mercados de criptoativos podem ter um impacto negativo sobre a avaliação da empresa, elevando assim o custo de emissão de ações e dívida para financiar novas compras de bitcoin”, escreveu Nikolaos Panigirtzoglou, diretor-gerente responsável pelo relatório. Ele não respondeu a um pedido de comentário. Na segunda-feira, a Strategy anunciou mudanças amplas no manual que sustenta sua estratégia com bitcoin. O plano prevê poderes mais amplos para vender a criptomoeda, recomprar títulos e preservar liquidez, à medida que a companhia se adapta à pressão crescente sobre a estrutura que financiou anos de acumulação agressiva. A empresa observou que, após elevar sua reserva de caixa para US$ 2,25 bilhões e levando em conta os US$ 1,25 bilhão em bitcoin autorizados para venda, teria o equivalente a pouco mais de dois anos de cobertura para os pagamentos. A Strategy não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Saylor — cofundador e presidente do conselho da Strategy — inicialmente provocou forte reação no mercado de criptoativos em 1º de junho, quando a empresa divulgou a venda de 32 bitcoins, no valor de US$ 2,5 milhões. A venda ajudou a desencadear uma queda de um mês que acabou levando o bitcoin a recuar mais de 50% em relação à máxima histórica atingida no fim do ano passado. As ações ordinárias da Strategy se estabilizaram desde que a reformulação do financiamento foi anunciada, na última segunda-feira, com alta de cerca de 20%. Ainda assim, o papel acumula queda de aproximadamente 75% no último ano. As ações preferenciais Stretch da Strategy também se recuperaram em preço, embora continuem sendo negociadas abaixo do valor de face de US$ 100, necessário para que a empresa venda mais desses papéis e financie novas compras de bitcoin com lucro. Os papéis, que pagam 12%, eram negociados em torno de US$ 87,50 na quinta-feira. O bitcoin subia pelo segundo dia consecutivo, avançando até 3,4%, a US$ 62.127, na quinta-feira. Um aumento menor que o esperado no número de empregos nos Estados Unidos impulsionou a maior parte dos ativos de risco, enquanto os rendimentos dos títulos de curto prazo caíram diante de apostas de que o Federal Reserve não será forçado a elevar os juros tão cedo. Juros mais baixos costumam aumentar a atratividade de ativos mais voláteis, como as criptomoedas.