Conhecido como "patriarca da família Poncio", o empresário do ramo do tabaco, pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, foi preso em um flat na Barra da Tijuca 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pastor Márcio Poncio — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/07/2026 - 09:04 Márcio Poncio, Pastor e Empresário, Preso em Operação da PF por Lavagem de Dinheiro e Jogo do Bicho Márcio Poncio, pastor e empresário do ramo do tabaco, foi preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro e conexões com o jogo do bicho. Conhecido como "patriarca da família Poncio", Márcio construiu notoriedade nas redes sociais. A operação, em sua quinta fase, busca elucidar supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais, com o STF determinando o sequestro de bens. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, Márcio Poncio, de 52 anos, é pastor evangélico, empresário do ramo do tabaco, suplente deputado Federal e patriarca de uma das famílias mais conhecidas das redes sociais brasileiras. A investigação apura indícios de lavagem de dinheiro relacionados à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a agentes públicos. Poncio foi preso no flat do Gran Hyatt, na Barra da Tijuca, na Zona Sedoeste do Rio. Segundo a PF, esta etapa da operação foi desencadeada após a apreensão de listas atribuídas ao contraventor Adilsinho, que indicariam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações ligadas à lavagem de capitais. O pastor Márcio Poncio — Foto: Reprodução Instagram Nascido no Rio de Janeiro, Márcio construiu seu patrimônio atuando no mercado do tabaco, atividade que lhe rendeu o apelido de "pastor do cigarro". Paralelamente à atuação empresarial, desenvolveu uma trajetória religiosa de mais de duas décadas. Nas redes sociais, onde reúne milhares de seguidores, se apresenta como "servo de Deus, membro da Igreja da Nuvem, patriarca da família Poncio, empresário e suplente deputado Federal". Foi justamente a exposição da família nas plataformas digitais que transformou o sobrenome Poncio em uma marca conhecida nacionalmente. O grupo ganhou notoriedade ao compartilhar a rotina familiar, a ostentação de patrimônio e episódios que repercutiram amplamente na internet. Márcio é pai do cantor Saulo Poncio e da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ). Casado com a pastora Simone Poncio, de 50 anos, o empresário viveu períodos conturbados recentemente. Em 2023, ele anunciou publicamente a separação do casal. No ano seguinte, os dois divulgaram a reconciliação e, em março deste ano, revelaram que estão esperando mais um filho. Vida na política Além da atuação religiosa e empresarial, Márcio também buscou espaço na política. Em 2022, disputou uma vaga para deputado federal pelo Rio, mas terminou como segundo suplente, com cerca de 33 mil votos. Três anos depois, anunciou candidatura à Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em eleição suplementar convocada após a cassação do mandato do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos). Na ocasião, acabou derrotado por Jonas Dico (Podemos). Enquanto isso, sua filha, a deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade), consolidou rapidamente alianças políticas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), aproximando-se do grupo político liderado por Rodrigo Bacellar e de deputados aliados. Em fevereiro deste ano, Sarah passou a integrar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, substituindo o deputado Chico Machado (PL) em meio a uma disputa interna no partido, após o parlamentar se aproximar do grupo político do prefeito Eduardo Paes (PSD). Família Poncio — Foto: Reprodução Entenda a operação Na ação desta quinta-feira, policiais federais cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em endereços ligados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O STF também determinou o sequestro de bens e valores de até cerca de R$ 22 milhões. Esta é a quinta fase da investigação conduzida pela Polícia Federal. As etapas anteriores apuraram a existência de uma suposta rede de proteção que teria permitido o vazamento de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho (CV), comprometendo ações policiais e beneficiando integrantes da facção. Segundo os investigadores, os repasses de informações teriam prejudicado diligências e possibilitado a destruição ou ocultação de provas. Adilsinho, contraventor apontado como chefe da máfia do cigarro, é preso pela PF e Polícia Civil do Rio; veja vídeo A nova fase da operação teve início após a apreensão, em poder de Adilsinho, de listas que indicariam a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações contábeis ligadas à lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, os documentos chamaram a atenção por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio. Segundo a Polícia Federal, as investigações prosseguem com a análise do material apreendido, o rastreamento do fluxo financeiro sob investigação e a apuração da eventual participação de beneficiários, intermediários e operadores do esquema. A operação se insere no contexto da decisão do STF no julgamento da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que, entre outras medidas, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos. Operação Unha e Carne As primeiras fases da Operação Unha e Carne foram deflagradas entre dezembro de 2025 e março deste ano. Na primeira etapa, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, tornou-se alvo da investigação sob suspeita de repassar informações sigilosas da Operação Zargun, que mirava o Comando Vermelho. De acordo com a Polícia Federal, o principal beneficiado pelo suposto vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso durante a ofensiva. Ainda em dezembro de 2025, a investigação avançou para a segunda fase e passou a apurar a origem dos supostos vazamentos. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Segundo os investigadores, o magistrado teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que posteriormente as transmitiria a TH Joias. A PF afirma ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que apontariam para uma relação próxima entre os dois. A terceira fase da operação foi deflagrada em março deste ano. Rodrigo Bacellar voltou a ser preso, desta vez em sua residência, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no âmbito do caso Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, a investigação passou a ser tratada também no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, por envolver possíveis impactos sobre a atuação do Estado no combate ao crime organizado. Em maio, a quarta fase da Operação Unha e Carne ampliou o foco das investigações e passou a apurar um suposto esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a corporação, as apurações apontaram indícios de direcionamento de contratos para aquisição de materiais, contratação de serviços e realização de obras de reforma em escolas estaduais. As empresas beneficiadas teriam sido previamente selecionadas e manteriam vínculo com a organização criminosa investigada.