Cédulas de won, a moeda da Coreia do Sul — Foto: okaybuild/Pixabay A Coreia do Sul inicia a negociação de sua moeda praticamente 24 horas por dia a partir de segunda-feira, uma medida que fabricantes de chips e outros grandes exportadores esperam que os ajude a gerenciar o risco cambial e a melhorar os preços. Enquanto o iene e o euro são negociados 24 horas por dia em todo o mundo, o won enfrentava uma instabilidade durante a madrugada devido às restrições de horário de negociação no mercado interno. O horário de negociação era limitado aos dias úteis, das 9h às 2h do dia seguinte. Após a extensão, a negociação ocorrerá das 6h de segunda-feira às 6h de sábado, horário local, quando Nova York opera no Horário de Verão do Leste dos Estados Unidos, e das 7h de segunda-feira às 7h de sábado no restante do ano. A negociação 24 horas estará disponível na maior parte do tempo, exceto nos fins de semana e em 1º de janeiro. A mudança, que visa tornar o won uma moeda mais internacional, representa um grande passo para um mercado que, segundo um funcionário do governo sul-coreano em 2023, ainda estava "traumatizado" por crises cambiais passadas. "Tornamos a estabilidade do mercado nossa principal prioridade política, mantendo um sistema fechado, restritivo, antigo e limitado por décadas", disse o funcionário. Durante a crise financeira asiática de 1997, bancos e investidores estrangeiros retiraram dinheiro da Coreia do Sul. Isso levou o governo a restringir o horário de funcionamento do mercado ao período diurno, a fim de monitorar as negociações. Mas, à medida que a negociação de ações sul-coreanas e as transações cambiais corporativas cresceram, investidores individuais e empresas têm solicitado a extensão do horário de negociação, disse o funcionário do governo sul-coreano. Um funcionário do Grupo HD Hyundai, um dos maiores construtores navais do país, disse que a negociação de won 24 horas permitirá que a empresa "responda rapidamente às oscilações da taxa de câmbio", acrescentando que a HD Hyundai estava preparando um plano para monitoramento contínuo. A Seoul Semiconductor, fabricante de LEDs cujas exportações representam cerca de 80% de suas vendas, espera que as informações dos mercados estrangeiros "se reflitam na taxa de câmbio mais rapidamente", disse um representante. "Isso nos permitirá formular transações cambiais e estratégias de hedge cambial a taxas de câmbio mais próximas das de mercado." A empresa estava preocupada com o risco de fortes oscilações cambiais durante a noite ou no início da manhã, devido aos conflitos mais recentes no Oriente Médio. Um representante de uma importante fabricante sul-coreana de semicondutores também comemorou a extensão do horário de negociação, afirmando que isso "nos permitirá responder com mais flexibilidade às mudanças nas condições de mercado". A empresa exporta a maior parte de seus produtos para os Estados Unidos e a China, principalmente com preços em dólares. Os bancos estão se preparando, implementando sistemas de turnos e aumentando o número de funcionários para lidar com mais transações cambiais. "A capacidade de negociar com parceiros estrangeiros 24 horas por dia a taxas ideais é uma vantagem significativa, e nossos clientes estão satisfeitos", disse um representante de um importante banco sul-coreano. Em maio, o governador do Banco da Coreia, Shin Hyun-song, afirmou que a internacionalização era uma forma de minimizar o impacto da crise no Oriente Médio e de outros desafios. Ele disse que esse processo ampliaria o uso do won, tornaria as transações mais abertas e aumentaria a transparência. A Coreia do Sul almeja ser incluída nos Índices de Mercados Desenvolvidos da MSCI, um índice de referência global para ações. Seul vê a negociação cambial 24 horas como um passo nessa direção, de acordo com um plano divulgado em janeiro. No final de junho, a MSCI manteve sua classificação da Coreia do Sul como um mercado emergente. A transição para a negociação 24 horas também pode impulsionar o valor da Coreia do Sul nas cadeias de suprimentos. Empresas que utilizam a Coreia do Sul como centro de operações verão uma melhoria na eficiência operacional, à medida que suas finanças e logística se tornarem mais integradas com outros centros na Ásia.