Grupo brasileiro foi fundado em 2017 pelo ex-XP Tito Gusmão e outros executivos A novata de tecnologia financeira argentina Cocos Capital fechou a aquisição da Warren Investimentos, incluindo a infraestrutura da Renascença DTVM, o braço institucional e que carregava a maior parte dos resultados da plataforma brasileira. A casa foi fundada em 2017 pelo ex-XP Tito Gusmão, e outros executivos egressos da instituição, como Marcelo Maisonnave e Eduardo Glitz. A avaliação do negócio, que incluiu a gestora de recursos e a atividade de mercado de capitais, não foi revelada. A operação será financiada integralmente com capital próprio e prevê uma estrutura híbrida, combinando pagamento em dinheiro e emissão de ações. Como parte da operação, os principais fundos investidores da Warren – entre eles Kaszek Ventures - passarão a ser acionistas da Cocos Capital. Segundo a empresa, a entrada desses parceiros estratégicos representa um sinal de confiança no crescimento e na projeção regional da companhia. O Valor apurou, contudo, que o investimento já tinha sido remarcado pelos fundos. Desde o ano passado a Warren buscava um sócio estratégico para catapultar o crescimento da operação. Em princípio, havia resistência à venda do controle. Ficou de fora da transação com a Cocos parte da tecnologia desenvolvida e que deve resultar num novo projeto com outro parceiro estratégico. A cisão da área institucional seria um dos movimentos prévios, mas não está claro se a Cocos terá qualquer participação nele. A Warren estava numa concorrência para uma joint-venture com o Banco do Brasil na distribuição de investimentos no varejo. Segundo fontes com conhecimento do assunto, outro grupo interessado na parceria com o BB era a Genial, mas o fato de operações recentes da Polícia Federal (PF) terem envolvido a companhia tirou um pouco de força dela na disputa. A Cocos Capital tem mais de 2 milhões de clientes na Argentina. A conclusão da transação está sujeita às aprovações regulatórias das autoridades brasileiras. “Quando fundamos a Warren, acreditávamos que era possível construir uma instituição financeira verdadeiramente alinhada aos interesses dos investidores. Ao longo dos últimos anos, transformamos essa visão em uma plataforma sólida, reconhecida pela transparência, pela qualidade da experiência e pela inovação”, afirmou em nota Maisonnave. “A união com a Cocos marca o início de um novo capítulo nessa trajetória. Encontramos um parceiro com ambição, capacidade de execução e visão de longo prazo para acelerar nosso crescimento sem abrir mão dos valores que sempre definiram a Warren.” Fundada em 2021, a Cocos Capital consolidou-se como uma das plataformas financeiras digitais de maior crescimento da Argentina, oferecendo uma solução integrada para investir, poupar e realizar pagamentos. Em 2025, a companhia registrou aproximadamente mais de 2 milhões de clientes na Argentina , US$ 49,7 milhões em receita e US$ 25 milhões em Ebitda ajustado, consolidando um modelo de negócios rentável, escalável e desenvolvido sem captação de capital externo. “Vemos uma oportunidade muito clara de aplicar no Brasil o que já fizemos na Argentina: simplificar os investimentos, fortalecer nossa proposta de valor e escalar com foco em eficiência”, afirma Ariel Sbdar, CEO e cofundador da Cocos Capital. Com essa incorporação e a recente compra do banco argentino Voii, a Cocos deve superar US$ 100 milhões em receita anual até o fim de 2026 e administrar mais de US$ 4 bilhões em ativos. Segundo fontes, a compra da Warren pode levar até dois anos para ser aprovada pelo BC brasileiro e, enquanto isso, tudo segue igual na companhia. “A Cocos tem uma filosofia muito parecida com a Warren e sabe das características do mercado brasileiro. Eles não vão chegar querendo impor as coisas de cima para baixo”, aponta um observador. (Colaborou Fernanda Guimarães) — Foto: Unsplash