A fabricante do iPhone pretende adquirir componentes da CXMT e da YMTC para utilização em aparelhos vendidos na China. Ambas constam de uma lista negra do Pentágono como apoiadoras das forças armadas de Pequim 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Laptops Apple MacBook Neo — Foto: Adam Gray/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 20:35 Apple negocia compra de chips de fabricantes chinesas na lista negra do Pentágono A Apple está em negociações para comprar chips de memória de fabricantes chinesas CXMT e YMTC, ambas na lista negra do Pentágono por apoiarem forças armadas de Pequim. A medida visa mitigar a escassez global de memória, que elevou os preços de seus produtos. O CEO Tim Cook apelou a autoridades dos EUA para minimizar repercussões políticas. A compra enfrenta resistência de defensores de segurança nacional nos EUA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Apple está negociando a compra de chips de memória de duas fabricantes chinesas de semicondutores que constam de uma lista negra do Pentágono, numa tentativa de reduzir o impacto da escassez global de memória, que obrigou a empresa a elevar os preços de toda a sua linha de produtos. A fabricante do iPhone pretende adquirir componentes de memória da ChangXin Memory Technologies (CXMT) e da Yangtze Memory Technologies (YMTC) para utilização em aparelhos vendidos na China, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. As negociações entre a Apple e as empresas continuam em andamento, e nenhum acordo foi concluído, disseram essas fontes, que pediram anonimato por tratarem de discussões privadas. O esforço da Apple incluiu apelos do CEO Tim Cook a autoridades do governo Trump, entre eles o secretário do Tesouro, Scott Bessent, para amenizar as repercussões políticas de um eventual acordo com as fabricantes chinesas de chips, afirmaram as fontes. Tanto a CXMT quanto a MTC estão incluídas em uma lista recentemente atualizada do Departamento de Defesa dos EUA que reúne entidades chinesas consideradas pelo governo americano como apoiadoras das forças armadas de Pequim. Embora a Apple não precise de uma autorização formal do governo americano para comprar chips da CXMT ou da YMTC, a empresa arriscaria enfrentar forte reação de defensores da segurança nacional em Washington, num momento de tensões elevadas entre Estados Unidos e China, especialmente no setor de tecnologias avançadas. Algumas autoridades do governo Trump manifestaram objeções à possibilidade de a Apple incorporar essas duas empresas chinesas à sua cadeia de fornecedores. Representantes dos Departamentos de Comércio e do Tesouro, assim como da Casa Branca, não responderam aos pedidos de comentário. A Apple se recusou a comentar. A iniciativa ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pela Apple e por outros fabricantes de eletrônicos de consumo diante de uma escassez sem precedentes de chips de memória, provocada pelo boom global da inteligência artificial. Processadores de alto desempenho utilizados em centros de dados exigem quantidades significativas de memória, levando os fabricantes desses componentes a direcionar sua produção para esse mercado em rápida expansão, onde conseguem cobrar preços mais elevados. A compra de chips da CXMT e da YMTC ampliaria para cinco o número de fornecedores de memória da Apple. Atualmente, a empresa depende das líderes de mercado sul-coreanas Samsung Electronics e SK Hynix, além da americana Micron Technology, para suprir suas necessidades de memória em toda a sua linha de dispositivos móveis e computadores. Esses fabricantes de chips de memória têm enfrentado dificuldades para acompanhar a demanda por seus componentes e anunciaram planos para expandir suas linhas de produção a fim de atender às necessidades dos centros de dados voltados para inteligência artificial. A campanha da Apple pode enfrentar resistência dentro do próprio governo Trump. No início deste ano, autoridades decidiram manter tanto a CXMT quanto a YMTC na chamada lista 1260H, um cadastro exigido pelo Congresso que reúne empresas que, segundo o Departamento de Defesa, apoiam o Exército de Libertação Popular da China. A YMTC foi incluída na lista do Pentágono em janeiro de 2024, enquanto a CXMT passou a integrá-la em 2025. Parlamentares americanos que defendem uma postura mais dura em relação à China, entre eles Brian Mast, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, já manifestaram oposição à possibilidade de a Apple adquirir componentes de memória dessas duas fabricantes chinesas. — A CXMT e a YMTC são empresas militares chinesas que impulsionam a modernização militar do Partido Comunista Chinês e sua busca pela liderança em inteligência artificial— afirmou Mast, cuja comissão supervisiona os programas americanos de controle de exportações. — Permitir que essa decisão avance destruiria a agenda do presidente para garantir cadeias de suprimento seguras e vencer a corrida armamentista da inteligência artificial. A YMTC também enfrenta outras restrições para fazer negócios com empresas americanas por ser incluída, em 2022, em uma lista separada de restrições do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Essa classificação impede que empresas adquiram tecnologia de fornecedores americanos sem obter uma licença de exportação. O jornal Financial Times havia informado anteriormente sobre as negociações da fabricante do iPhone com a CXMT. Embora a lista do Pentágono tenha poucas consequências legais imediatas, os Estados Unidos vêm utilizando cada vez mais esse instrumento para restringir a capacidade das empresas de firmar contratos com as Forças Armadas americanas ou de receber recursos para pesquisa. A inclusão na lista 1260H também serve como um alerta aos investidores americanos e é amplamente considerada um sinal de alerta que pode anteceder restrições comerciais mais severas. Em 2022, a Apple já havia tentado obter parte de seu fornecimento de memória junto à YMTC, mas esse plano foi abandonado após a forte oposição em Washington, desencadeada pela inclusão da empresa chinesa na lista de entidades restritas do Departamento de Comércio. Agora, ao limitar o uso dos chips de memória fabricados na China apenas a aparelhos destinados ao mercado chinês — onde a Apple já comercializa modelos específicos para atender às exigências locais —, a empresa espera evitar parte da reação política enfrentada anteriormente.
Apple faz lobby nos EUA para viabilizar compra de chips de memória fabricados na China
A fabricante do iPhone pretende adquirir componentes da CXMT e da YMTC para utilização em aparelhos vendidos na China. Ambas constam de uma lista negra do Pentágono como apoiadoras das forças armadas de Pequim










