Senadora afirmou, durante reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que também foi alvo de ofensas e notícias falsas nos últimos dias e atribuiu os ataques ao avanço das mulheres na política 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Damares Alves — Foto: Waldemir Barreto/ Senado RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 16:58 Damares Alves denuncia ameaças e cobra apoio contra violência política de gênero A senadora Damares Alves relatou ter recebido ameaças de morte contra sua filha e enfrentado uma série de ataques nas redes sociais, atribuídos ao avanço das mulheres na política. Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares destacou a violência política de gênero e a necessidade de medidas institucionais. Criticou o silêncio de homens políticos diante desses ataques e defendeu a participação feminina na política, mencionando apoio à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) revelou nesta quarta-feira ter recebido ameaças contra sua filha e disse ter sido alvo de uma onda de ataques nas redes sociais nos últimos dias. As declarações foram feitas durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida pela própria parlamentar, um dia depois de Michelle Bolsonaro anunciar que deixará a presidência do PL Mulher em meio à crise com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Damares, os ataques ultrapassaram as críticas políticas e passaram a atingir sua vida pessoal e sua família. — Essa semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis ataques (…) Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. A minha filha é uma menina indígena. Eu sou mãe de uma menina indígena. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela. É uma violência política que a gente não consegue imaginar. Após o discurso, Damares afirmou ao GLOBO que a bancada feminina do Senado pretende discutir medidas institucionais diante dos episódios recentes de violência política contra mulheres, independentemente de uma manifestação formal das vítimas. — A bancada feminina do Senado me informou que estará fazendo isso, pois a violência política contra mulher não está condicionada à vontade da vítima. Ao longo da sessão, a senadora afirmou que mulheres de diferentes espectros políticos têm sido alvo de violência política de gênero e incentivou novas candidaturas femininas, apesar dos ataques. — Não recue. Não tenha medo. Venha para a política. Participe, se engaje. Vão tentar te desanimar. Vão. Mas você precisa ser forte. Damares também criticou declarações recentes do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e afirmou que os ataques passaram a colocar em dúvida até mesmo a capacidade das mulheres de participar da vida pública. — Chegaram ao absurdo, essa semana, de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar. Se a gente sabe escolher ou se merece ser escolhida. Na sequência, afirmou que o crescimento da participação feminina na política tem provocado reações de setores que resistem à presença das mulheres em espaços de decisão. — Nunca tivemos tantas mulheres candidatas como agora. Nós estamos chegando ao poder e tem gente que não suporta isso. Sem citar nominalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Damares também fez um recado aos homens que já estão em pré-campanha eleitoral e que, segundo ela, permanecem em silêncio diante de episódios de violência política contra mulheres. — Agora é para todos os homens que estão em cima de palanques, em palcos, já fazendo pré-campanha. Se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência. Em seguida, reforçou a cobrança. — Há os homens que estão no processo político eleitoral. Se vocês se silenciam diante do ataque e da violência política contra a mulher, vocês são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques. Venham, colegas. Venham para essa luta. Venham conosco, não deixem apenas a mulher defender mulher. Interlocutores de Damares afirmam que o recado não foi direcionado apenas a Flávio Bolsonaro, mas a todos os homens que disputam cargos eletivos e permaneceram em silêncio diante de episódios recentes de violência política contra mulheres. Segundo pessoas próximas à senadora, os ataques se agravaram nos últimos dias após Michelle divulgar um vídeo com críticas públicas ao enteado, episódio que mobilizou a base bolsonarista nas redes sociais e desencadeou uma série de ataques contra mulheres ligadas ao grupo político, entre elas a própria ex-primeira-dama e a própria Damares. Ao longo da fala, Damares saiu em defesa de Michelle Bolsonaro e afirmou que a ex-primeira-dama também foi vítima de uma campanha de ataques. — Eu vou fazer referência a uma mulher de direita que eu sou amiga, irmã, uma espécie de mãe conselheira, que é a Michelle Bolsonaro. Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nesses últimos dias. As imagens, inteligência artificial, a manipulação de imagens… atacaram a filha dela também. Duvidam, inclusive, que a menina seja filha do ex-presidente da República. Também nesta quarta-feira, Flávio reuniu deputadas e outras lideranças conservadoras, em Brasília, para apresentar os três eixos da agenda voltada ao eleitorado feminino de sua pré-campanha. Damares, no entanto, não participou do encontro. Segundo aliados da senadora, ela decidiu não comparecer por ter ficado chateada com a ausência de uma manifestação pública de Flávio em defesa dela e de Michelle diante dos ataques sofridos nos últimos dias.