A apuração identificou movimentações suspeitas de R$ 15 milhões em empresas de pessoas que podem ter ligação com o político Deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados A Polícia Federal (PF) apura se os R$ 468 mil apreendidos em dezembro com o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) são oriundos de desvios de recursos públicos e se aliados do parlamentar forjaram a escritura de um imóvel para justificar o valor. A linha de investigação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação deflagrada nesta quarta-feira (1) contra aliados de Sóstenes. A apuração identificou movimentações suspeitas de R$ 15 milhões em empresas de pessoas que podem ter ligação com o político. Sóstenes foi alvo em 19 de dezembro de uma operação de busca e apreensão autorizada por Dino. Na ocasião, R$ 468 mil foram encontrados em um endereço do parlamentar. A operação deflagrada nesta quarta tenta entender qual a origem desse dinheiro. Segundo a PF, apesar de Sóstenes ter justificado o valor afirmando que ele tem como origem a venda de um imóvel, há indícios de que a escritura possa ter sido forjada para tentar justificar o valor. Isso porque a escritura foi lavrada em 30 de dezembro do ano passado, após a operação da PF apreender a quantia com Sóstenes. A desconfiança é que o documento busque “conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita”. “Esse aspecto cronológico assume especial relevo investigativo. Isso porque a escritura pública foi lavrada em 30/12, após o cumprimento das medidas cautelares de 19/12, mas faz referência a um suposto ajuste pretérito, segundo o qual o pagamento em espécie teria ocorrido em 24/11. Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal” à transação, diz a PF. Segundo os investigadores, não foram encontradas movimentações bancárias compatíveis com o pagamento declarado na escritura no período em que Sóstenes teria recebido o dinheiro. “Embora a escritura pública referente ao imóvel declare que o pagamento de R$ 500 mil teria sido feito em espécie em 24/11, não foi identificado saque de valores contemporâneos à data da compra”, afirma a PF. Ao autorizar a operação, Dino afirmou que são múltiplos os indícios de que pessoas jurídicas movimentaram recursos desproporcionalmente elevados com sinais de “tentativa de dissimular a origem e o destino de valores aparentemente ilícitos”. “Essa hipótese criminal, grave por si só, ganha contornos significativamente mais expressivos a partir do momento em que a investigação indica a possibilidade de que esses valores possam ser, ainda que em parte, fruto de peculato atribuído a deputado federal”, diz, com relação a Sóstenes. “Além disso, o imóvel alegadamente justificador dos quase quinhentos mil reais apreendidos na posse do parlamentar foi-lhe transmitido por registro imobiliário, quase um mês depois de cumprido o mandado de busca e apreensão, por advogado igualmente implicado em transações suspeitas”, prossegue. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara dos Deputados a partir de contratos de locações de veículos. A prática, segundo a PF, pode configurar os crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A cota parlamentar é um valor mensal para cobrir despesas ligadas diretamente ao exercício do mandato, como passagens, alimentação, hospedagem, contratação de consultoria, entre outras. O recurso não integra o salário. Pessoas ligadas a Sóstenes foram alvo de mandados de busca no Distrito Federal, Minas Gerais e Goiás. O principal alvo foi um advogado que teria comprado a casa do parlamentar. Procurado, o deputado Sóstenes Cavalcante não respondeu até a publicação desta reportagem.
PF apura origem de dinheiro apreendido com Sóstenes e autenticidade de escritura
A apuração identificou movimentações suspeitas de R$ 15 milhões em empresas de pessoas que podem ter ligação com o político











