Uma mãe estava em sua cozinha na capital da Venezuela preparando café por volta da manhã de um dia em 2017 quando, segundo ela, viu pela janela policiais carregando armas longas e curtas. Momentos depois, disse ela, um deles estava forçando a abertura do portão de sua casa com uma barra de ferro.

Pouco tempo depois, o filho de 20 anos da mulher estava morto, assassinado em circunstâncias obscuras. Vizinhos relataram ter ouvido policiais disparando tiros horas após a operação, como se estivessem encenando um tiroteio, de acordo com uma ação judicial apresentada na terça-feira (30).

O filho da mulher, agora identificado nos registros judiciais como "John Doe 3", foi uma das pelo menos 1.300 pessoas mortas por uma força de segurança de elite da Venezuela entre 2017 e 2020, durante uma grande ofensiva policial lançada pelo ditador Nicolás Maduro, supostamente para combater o crime, afirma a ação.Segundo provas reunidas por grupos de direitos humanos, policiais invadiam casas em bairros de baixa renda, obrigavam homens e adolescentes a se ajoelharem e depois os executavam a tiros. As residências eram saqueadas, e tudo o que tivesse algum valor, ainda que modesto, era roubado.

Agora, quase uma década após essas operações em Caracas, a capital venezuelana, familiares de cinco jovens assassinados entraram com uma ação federal em Nova York acusando Maduro de autorizar os assassinatos.