Ao menos 15 pessoas, entre elas um médico oncologista, foram alvo de uma operação que investiga supostas fraudes no fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes com câncer, custeados com recursos públicos.

As investigações começaram em setembro de 2025 após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, identificar erros de digitação e cores diferentes na embalagem do Enhertu, medicamento usado no tratamento de câncer de mama. A profissional entrou em contato com o laboratório responsável, que analisou o medicamento e acionou a polícia.

Segundo o delegado Daniel Severo, responsável pelas investigações, a organização criminosa atuava para manipular processos destinados à aquisição dos medicamentos na Justiça. A suspeita é de que os orçamentos dos remédios pedidos em ações judiciais eram feitos com empresas vinculadas entre si, que simulavam concorrência para direcionar as compras e elevar artificialmente os custos.

Foram identificadas 39 vítimas em potencial, afirma Severo, das quais 7 morreram durante o tratamento —ao menos duas, contudo, faleceram antes mesmo de receber o medicamento obtido na via judicial. A relação entre as mortes e os crimes investigados está em apuração.