No acumulado do mês de junho a moeda americana subiu 2,39%, o que apagou parte da valorização do real no ano Dólar americano — Foto: Scott Eells/Bloomberg Em um dia de volatilidade contida, o câmbio doméstico seguiu a dinâmica externa e, assim, o dólar encerrou a sessão desta terça-feira em queda frente ao real. Os movimentos foram bastante tímidos ao longo do dia, mesmo com a formação da Ptax de fim de mês, com os mercados atentos aos preços do petróleo, enquanto a expectativa em torno dos números do mercado de trabalho dos Estados Unidos segue bastante elevada em meio a apostas crescentes em torno de um aperto nos juros americanos. Nesta terça-feira, o dólar anotou queda de 0,23%, negociado a R$ 5,1628 no mercado à vista, enquanto o euro comercial recuou 0,22%, para R$ 5,8991. No acumulado do mês de junho, contudo, a moeda americana subiu 2,39%, o que apagou parte da valorização do real no ano. Em alguns momentos, o dólar chegou a anotar uma queda de mais de 10% no mercado doméstico em 2026, mas, nos dados fechados do primeiro semestre, registrou um recuo de 5,94% frente ao real. E, em relação aos próximos passos da moeda brasileira, há um sentimento de maior cautela dos agentes de mercado diante da proximidade da eleição presidencial, que pode ser um combustível para aumentar a volatilidade cambial. “Passamos a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao Brasil, já que os riscos relacionados às eleições podem trazer vulnerabilidades para o primeiro plano. Em relação ao dólar, esperamos uma depreciação moderada do real, à medida que a política fiscal se torne mais expansionista no período que antecede as eleições e o risco político doméstico aumente", afirmam Dev Ashish e Brendan McKenna, estrategistas do Société Générale. Ainda assim, segundo eles, o real continua sendo uma moeda atrativa em termos de valor relativo no mercado cambial. “Acreditamos que posições aplicadas na ponta curta da curva de juros seguem fazendo sentido, desde que o Banco Central não promova novos movimentos na taxa de juros", concluem. Na sessão desta terça-feira em particular, a dinâmica foi ditada pelo exterior, diante da expectativa em torno dos dados de emprego dos EUA e dos preços do petróleo. Após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ter demonstrado a intenção de emitir uma menor quantidade de sinais ao mercado, como parte de uma revisão na estratégia de comunicação do banco central americano, agentes devem se mostrar ainda mais sensíveis a qualquer desvio em relação às projeções de mercado. Amanhã, Warsh fala em evento organizado pelo Banco Central Europeu (BCE), em Sintra, e pode dar mais pistas sobre o novo ‘framework’ do Fed para a comunicação com os mercados.