Uma instalação de névoa, uma onda de quase dez metros de altura, picolés e leques abanando nas primeiras filas. Tudo vale para amenizar o calor escaldante —quase insuportável— que tomou conta de Paris nos dias que sucederam o solstício e mar caram a temporada de verão 2027 de moda masculina francesa, concluída neste domingo (28).

A mensagem da estação, entretanto, não estava em uma leitura tradicional dos códigos de verão. A simplicidade, entendida como um exercício de refinamento —um olhar para a tradição capaz de oferecer um contraponto à realidade—, eleva o vestuário masculino acima do prosaico por encontrar força no domínio do essencial.

Em outras palavras, a forma de abotoar uma camisa ou um casaco interessa mais do que qualquer cenografia grandiosa. Algo que, após a era Karl Lagerfeld, marcada por sua obsessão por cenários apoteóticos, se tornou um tanto anacrônica.

Na Saint Laurent, Anthony Vaccarello entendeu que não precisa se render ao histrionismo. Depurar, afinal, é um exercício elementar para construir a imagem da Saint Laurent hoje. Mais limpa, misteriosa e contida, a coleção surge e desaparece entre a neblina da "Cloud #07156", instalação imersiva de Fujiko Nakaya, na Rotunda da Bourse de Commerce.