Pouco depois de a Suprema Corte bloquear, nesta segunda-feira (29), o presidente norte-americano Donald Trump de demitir a diretora do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos) Lisa Cook, o presidente adotou um tom desafiador, sinalizando que não abandonaria sua longa batalha para obter mais influência sobre um dos mais importantes gestores da economia americana.

Aos olhos de Trump, a decisão de 5 a 4 alcançada pelos ministros representou apenas um revés jurídico, não uma derrota insuperável. Mesmo reconhecendo a tradição centenária de independência política do banco central do país, a corte não fechou totalmente a possibilidade de o presidente tentar demitir seus funcionários no futuro.

Por um lado, a corte concluiu que Trump errou quando tentou pela primeira vez demitir Lisa Cook por alegações infundadas de fraude hipotecária no ano passado. Concordando com um tribunal inferior, que havia permitido que Cook permanecesse em seu cargo enquanto o caso tramitava, a maioria dos ministros disse que o governo Trump deveria ter dado a Cook a oportunidade formal de contestar as acusações contra ela.

Mas a Suprema Corte deixou muito sem resolver. Os ministros não articularam claramente todos os critérios legais que permitiriam a Trump demitir Cook, que nega qualquer irregularidade e nunca foi acusada de crime. Tampouco emitiram opinião sobre as alegações específicas contra ela. E a maioria da corte nem sequer prescreveu o foro exato no qual Cook deveria ter permissão para responder às alegações.