Prefeito da capital russa afirma que 60 drones foram interceptados a cidade desde a noite de segunda-feira, e Kremlin confirma que pode importar combustível de outros países 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Casa atingida por drone em Yegoryevsk, na Rússia — Foto: TELEGRAM / @vorobiev_live / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 13:29 Ataques de Drones em Moscou Ameaçam Eleições e Pressionam Putin Novos ataques de drones ucranianos a Moscou intensificam a pressão sobre Putin, ameaçando adiar as eleições legislativas de setembro devido à crise de combustível causada por ataques a refinarias russas. O Kremlin estuda importar gasolina para estabilizar o mercado. Com Moscou como alvo, a cidade antes imune ao conflito, agora enfrenta tensões crescentes, enquanto a Ucrânia segue com ações estratégicas contra a Rússia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A capital russa, Moscou, foi alvo de mais uma série de ataques com drones ucranianos desde o final da noite de segunda-feira, que provocaram estragos e a morte de um bebê de seis meses. Antes isolada da guerra no país vizinho, a maior cidade da Federação Russa tornou-se alvo preferencial das retaliações ucranianas, elevando a pressão sobre o presidente Vladimir Putin para que resolva o conflito o quanto antes, pelas armas ou pelas negociações. Em paralelo, as ações contra as refinarias russas provocam uma crise que pode levar ao adiamento das eleições legislativas de setembro. De acordo com o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, foram interceptados ao menos 61 drones ucranianos desde o final da noite de segunda-feira. O político, contudo, não relatou estragos ou vítimas. Já o chefe da região de Moscou (que não inclui a capital russa), Andrey Vorobyov, disse na plataforma russa Max que uma casa foi atingida na cidade de Yegoryevsk, matando um bebê de seis meses. A mãe sobreviveu, mas teve as pernas amputadas — o pai e a irmã mais velha foram hospitalizados. — Gostaríamos de aproveitar mais uma vez esta oportunidade para [...] chamar a atenção da comunidade internacional para estas ações criminosas do regime de Kiev — se queixou a jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Os ataques na principal área urbana russa foram parte de uma nova ação ucraniana ao redor da Rússia nas últimas 24 horas. O Ministério da Defesa afirmou que 419 aeronaves não tripuladas foram abatidas em 18 regiões russas, incluindo a Crimeia, a península anexada da Ucrânia em 2018 que se tornou um dos flancos mais vulneráveis da guerra. A agência russa de aviação civil, a Rosaviatsiya, anunciou que as operações no aeroporto de Domodedovo, que atende a capital, foram brevemente suspensas. Em publicação na rede social X, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que um centro de comunicações espaciais, responsável pela operação de satélites (incluindo os que ajudam as tropas russas) foi atingido. Ele ainda afirmou que “ações relevantes também estão sendo preparadas contra outras instalações inimigas semelhantes”. “Passo a passo, estamos implementando o nosso plano de sanções de longo alcance e tornando o mais difícil possível para o Estado agressor realizar as suas operações de invasão contra a Ucrânia e a ocupação dos nossos territórios”, acrescentou. Coluna de fumaça é vista em refinaria nos arredores de Moscou após ataque ucraniano — Foto: AFP Ao mesmo tempo em que a Rússia continua atingindo as cidades ucranianas com seus drones, mísseis e disparos de artilharia, a Ucrânia se mostra cada vez mais capaz de elevar o preço da guerra lançada há quatro anos e meio. Moscou não é mais a fortaleza que permitia a seus moradores ignorar o conflito, e uma dos pilares da economia russa foi abalado: de acordo com levantamento da agência Reuters, todas as grandes refinarias na parte europeia foram atingidas ao menos uma vez — se todo o país for considerado, apenas duas instalações na Sibéria, em Omsk e Irkutsk, estão “ilesas”. Embora o Kremlin garanta que trabalha para restaurar a capacidade de refino a curto prazo, as filas do lado de fora dos postos e o aumento dos preços nas bombas mostram que a crise é imediata. Sobre a mesa estão planos como a suspensão das exportações de diesel, defendida pelo vice-premier Alexander Novak, e o racionamento, já em vigor, em regiões como a Crimeia. Fila de veículos do lado de fora de posto de combustível em Moscou — Foto: Igor IVANKO / AFP Nas redes sociais, os russos expressaram com ironia a busca cada vez mais inglória por locais onde encher o tanque. Em um meme, o cantor Dima Bilan, vencedor do festival Eurovision em 2008, aparece cantando “onde posso te encontrar, para qual cidade devo voar, sem você, não consigo viver”, uma referência à escassa gasolina. Em Irkutsk, há relatos de pessoas que aguardam 18 horas para abastecer. Em um posto de Ivanovo, a 300 km de Moscou, uma fila tinha mais de 150 veículos. Putin admitiu, no fim de semana, que os ataques contra refinarias estavam causando problemas, especialmente a queda na oferta de combustíveis, mas garantiu que era uma situação temporária. Segundo ele, as reservas estratégicas de petróleo tiveram queda de 4% em comparação ao mesmo período do ano passado, chamada por Putin de “pequena”. — Estamos passando por um período difícil, mas isso nos ensinou muito e nos permitiu compreender a própria essência do que significa ser um cidadão russo — declarou Putin em reunião do partido Rússia Unida no domingo. — Sim, vemos os problemas, estamos cientes deles e estamos respondendo a eles, mas certamente garantiremos a segurança tanto do país quanto de nossos cidadãos, bem como a inviolabilidade das fronteiras da Rússia. Nesta terça, o Kremlin confirmou que está em conversas com outros países para comprar gasolina, de forma a estabilizar o mercado interno. De acordo com a Reuters, o plano inicial é comprar até 50 mil toneladas do Cazaquistão, que até agora não confirmou um acerto. Na semana passada, a Duma, a Câmara baixa do Parlamento, aprovou uma medida que facilita esse tipo de importação. — Estão sendo realizadas discussões ativamente — declarou Peskov. — Se for possível chegar a acordos com preços aceitáveis, então [as importações] avançarão. Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante velório do ex-ministro da Defesa Sergei Ivanov — Foto: Mikhail METZEL / POOL / AFP Além da crise no setor de combustíveis, autoridades temem que os ataques ucranianos possam interferir no processo eleitoral antes das eleições de setembro, quando a Duma será renovada e quando serão definidos os ocupantes de postos regionais. De acordo com o portal Meduza, vozes importantes do aparato de segurança querem convencer Putin a adiar a votação, mas há setores políticos, liderados pelo ex-presidente Dmitry Medvedev, que preferem manter o calendário por cálculos políticos próprios. — Os problemas orçamentários começaram, os preços continuam subindo e há cortes e demissões [nas empresas]. É evidente que está piorando, e isso sempre afeta os índices de aprovação do governo. Mesmo com toda a fiscalização, realizar eleições nessas condições é uma tarefa ousada — disse uma fonte do Kremlin ao Meduza, em condição de anonimato. Putin ainda não tomou uma decisão, mas um estrategista próximo à administração federal, ouvido pelo Meduza, é mais sincero. — Está uma bagunça total em qualquer quer que você olhe. Se dependesse de mim, nessas condições, eu adiaria ou simplesmente cancelaria.
Novos ataques com drones contra Moscou ampliam a pressão sobre Putin; eleições legislativas correm risco de adiamento
Prefeito da capital russa afirma que 60 drones foram interceptados a cidade desde a noite de segunda-feira, e Kremlin confirma que pode importar combustível de outros países








