Além da economia, o modelo aumenta o poder de barganha nas negociações de prazos e abastecimento Alguns hospitais estão apostando na compra centralizada de parte dos produtos que utilizam no dia a dia da operação como forma de redução dos custos. Além da economia, o modelo aumenta o seu poder de barganha nas negociações de prazos e abastecimento. Os fornecedores também são beneficiados porque passam a contar com uma demanda consolidada que se traduz em previsibilidade de receita em contratos com prazo de um ano ou mais. E ainda podem ampliar a sua participação no mercado. Embora o modelo ainda não seja representativo nas suas contratações, o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), contabilizou reduções de até 70% nos custos em parte das operações de compra. “Em alguns casos, os ganhos aparecem diretamente na redução de preços e, em outros, se refletem em melhores condições comerciais, previsibilidade de abastecimento, redução de reajuste e ampliação da eficiência logística e operacional”, diz Mohamed Parrini, CEO da instituição. Para as operadoras de planos de saúde que integram a rede Unimed, a economia gerada pela compra centralizada foi de R$ 476,3 milhões nos últimos cinco anos. Algumas negociações especiais, realizadas de forma centralizada pela Unimed do Brasil, os descontos podem ultrapassar 40%, revela Jorge Guilherme Robinson, diretor-presidente da Unimed Central de Serviços. As aquisições são feitas por meio da Unimed Central de Serviços em dois modelos. Um deles abrange materiais e medicamentos hospitalares (MAT/MED). Os pedidos são lançados para cotação on-line em cinco mil fornecedores cadastrados em todo o país, com prazo de algumas horas para apresentação da proposta de menor preço. Outro modelo é para compra de órteses, próteses e materiais especiais (OPME), feita a partir de negociação prévia com fornecedores e consolidada no momento da real necessidade dos pacientes. Negociações especiais, de produtos de alto custo, como dispositivos intrauterinos e medicamentos oncológicos, são realizadas de forma centralizada pela Unimed Brasil, diz Robinson. O executivo cita, ainda, um terceiro modelo de compra centralizada, de negociação para exclusividade de fornecimento de itens e serviços especializados para hospitais e laboratórios próprios das unidades que integram a Unimed, como gases medicinais, insumos de hemoterapia e serviços laboratoriais de apoio (para a realização de exames de análises clínicas e de genética de forma centralizada). A economia obtida com a centralização, na média, foi de 30%, em negociações de insumos hospitalares, diz David Pimenta, CEO da Supply4Med — Foto: Foto: Divulgação Especializada no fornecimento de soluções para a cadeia de suprimentos em saúde, a startup Supply4Med realizou em torno de 20 grandes processos de aquisições de insumos hospitalares para instituições hospitalares desde que iniciou suas operações, há cerca de seis anos. A economia obtida, na média, foi de 30%, em negociações que somaram em torno de R$ 1 bilhão. Mais de 200 hospitais fazem parte da sua carteira de clientes. Por meio do sistema de “compra colaborativa”, por exemplo, são adquiridos suprimentos que têm alta competividade no mercado e muitos fornecedores. Segundo David Pimenta, CEO da empresa, da lista fazem parte itens descartáveis, como máscaras cirúrgicas e aventais de procedimentos, materiais de infusão (seringas, agulhas e cateter) e medicamentos de Curva C, que são de baixo giro de estoque e alta variedade. A startup criou também a “esteira de compra”, que consiste na busca de demandas hospitalares a partir da estruturação de ofertas junto aos fornecedores. Segundo Pimenta, diferentemente da “compra colaborativa”, que tem uma janela de adesão de aproximadamente 20 dias, os fornecedores e compradores devem entrar ao mesmo tempo. “Isso gera um grande volume e resulta em boas negociações”, afirma. No fim do ano passado, foi ativado o marketplace da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), incialmente para a aquisição de curativos — um grupamento de 95 itens essenciais, que representam de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões das aquisições realizadas por ano. O credenciamento de fornecedores começou em janeiro e já foram apresentados quase 300 produtos distintos para certificação. O objetivo é suprir a demanda do MG Transplantes e de 16 unidades assistenciais mineiras, além de outros órgãos públicos estaduais. A inclusão de medicamentos está em estudo. Henrique Breguez, diretor de planejamento gestão e finanças da Fhemig: Marketplace para comprar insumos visa tornar gastos mais eficientes — Foto: Foto: Divulgação Por ano, a Fhemig desembolsa cerca de R$ 196 milhões na contratação de insumos hospitalares. A expectativa é de que em torno de 80% do total de três mil itens demandados seja negociado por meio da plataforma. “O marketplace surge como uma alternativa para tornar esses gastos mais eficientes, mais alinhados à realidade do mercado e com uma resposta mais efetiva às necessidades da rede SUS”, afirma Henrique Breguez, diretor de planejamento, gestão e finanças da Fhemig. Apesar dos benefícios, a padronização é um desafio para o avanço do modelo de compras centralizadas. Diferenças entre marcas, fabricantes, apresentações, experiências de uso e protocolos clínicos podem dificultar as negociações. Na Associação dos Hospitais Filantrópicos Privados (Ahfip), que tem 12 hospitais de referência associados, é feita uma análise técnica sobre a possibilidade de alinhamento das indicações. “Apresentamos alternativas que são avaliadas individualmente e discutidas coletivamente, chegando ao equilíbrio entre a necessidade individual e da associação”, explica Wilson Pedreira, CEO da entidade.