Em pouco mais de um ano desde seu lançamento nos EUA, o livro "O Império da IA", da jornalista americana Karen Hao, se tornou uma das principais referências para quem busca entender a era da inteligência artificial generativa.
Na obra, Hao conta a história da ascensão da OpenAI com base em centenas de entrevistas e documentos, que trazem detalhes indecorosos. O retrato que aparece no livro é bem diferente da imagem pública que a empresa se empenha em construir.
A começar pelo próprio CEO da OpenAI, Sam Altman, que surge como alguém que, aos olhos de colaboradores importantes, não seria digno de confiança. Mesmo o modelo de negócios da empresa que atrai bilhões em investimentos vira alvo. Para Hao, os planos não são sólidos, e os próprios funcionários da empresa confessam isso à boca pequena.
A conclusão da jornalista é que as empresas de IA são como os impérios coloniais do passado: movidas pela concentração de poder, exploração do trabalho e de recursos naturais, além da busca por influência política.
De visita ao Brasil para lançar o livro em português, Hao diz nesta entrevista à Folha que esses traços imperiais das empresas de IA vêm se aprofundando —inclusive por causa da aliança com o governo Donald Trump, empenhado em promover o uso militar dessa tecnologia.









