De uma pequena mercearia não restaram nem os fios elétricos. A terra ainda nem havia parado de tremer quando começaram os roubos e saques na área mais devastada pelo duplo terremoto na Venezuela.

As denúncias se multiplicam no estado costeiro de La Guaira, vizinho de Caracas e transformado em uma enorme montanha de escombros.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, um grupo de pessoas passa caixas de eletrodomésticos de mão em mão a partir de uma loja desabada; em outros vídeos, caixas semelhantes aparecem sobre os tetos de carros ou em motocicletas.

Também circulam nas redes sociais acusações contra policiais e militares que supostamente roubam em casas ou até mesmo das vítimas.A unidade de uma importante rede de farmácias foi saqueada, assim como supermercados e outros estabelecimentos comerciais. Trata-se de uma situação que alguns atribuem ao chamado "turismo da tragédia" e outros à fome e à necessidade geradas pela perda de tudo em um país que enfrenta uma crise crônica.

"É justo que o nosso povo devore o próprio povo?", lamenta María Esther Bernal, 71, que alugava imóveis comerciais para comerciantes chineses, todos saqueados. "Não deixaram nem o papel de parede", resume. "Levaram até os fios."