Projeto nacional para desenvolver e popularizar o esporte no país tem atingido metas antes do previsto Japoneses comemoram classificação na Copa 2026: meta de popularização — Foto: FIFA Hoje, às 14h, Japão e Brasil vão se enfrentar em Houston (EUA) para decidir seu futuro na Copa do Mundo. Apenas os vencedores estarão em campo no domingo (5/7) para enfrentar Noruega ou Costa do Marfim e seguir na briga pelo título da competição. Japoneses e brasileiros querem seguir vivos no torneio, é claro, mas só o Japão poderá dizer que uma eventual derrota estava nos planos. O Japão tem um projeto de longo prazo para desenvolver o futebol no país, e ele começa pela própria obediência ao conceito de “longo prazo”: o projeto estabeleceu metas e ações para um intervalo de 100 anos. Para olhos brasileiros, que já não se surpreendem mais quando uma autoridade fala em “longo prazo” quando apresenta uma ideia vaga para sair do papel nos próximos dois ou três anos, a abordagem dos japoneses soa inviável. Mas é a materialização dela que entrará em campo nesta segunda-feira. No Japão, o futebol era semiprofissional até 1992. Os times da Japan Soccer League (JSL), a liga nacional, pertenciam a grandes empresas, e os jogadores eram funcionários dessas companhias, que também davam nome às equipes. Para poder fortalecer a seleção do país, a federação japonesa estimulou a criação de uma liga profissional, e assim nasceu a J. League (atual J1 League). Mais sobre os adversários do Brasil na Copa: Foi a partir da criação da liga, em 1993, que os japoneses apresentaram o plano de conquistar o título mundial dentro de um século. Ocorre que o país logo percebeu que os resultados estavam aparecendo com mais rapidez do que o previsto, e o plano agora prevê título em 2050. Em 1998, apenas cinco anos depois da edição inaugural da J. League, o Japão disputou sua primeira Copa do Mundo, na França. Depois disso, em 2002, o Japão não só era um dos anfitriões da competição - a Coreia do Sul era o outro país-sede - como avançou à segunda fase do torneio, um grande feito para uma seleção que estava somente em sua segunda Copa. Os japoneses atualizaram as metas do projeto em 2005. Na revisão, eles aprofundaram alguns outros objetivos, como o de multiplicação de clubes no país. Para o futebol japonês, ter mais equipes é essencial para ampliar o número de atletas e também o interesse dos torcedores - no país, o baseball é o esporte mais popular. A J. League nasceu com dez clubes, mas a meta do país é ter 100 equipes profissionais até 2050. Também nesse quesito o avanço está acelerado: a J. League já tem três divisões, cada uma delas com 20 clubes. Outra liga, menor, que corresponde à quarta divisão do país, tem 16 times, todos igualmente profissionais. O plano, que, em sua versão em inglês, tem 57 páginas, é bem mais do que um cronograma de ações para a busca de um troféu. Além de apresentar em detalhes cada elemento do projeto, incluindo as características ideais de jogadores de cada posição, o documento reúne as diretrizes com a qual os japoneses querem ratificar o papel do futebol como um elemento da vida nacional, com raízes efetivamente populares e fãs genuínos. Segundo o plano, em 2050, o Japão terá mais de 10 milhões de fãs ardorosos de futebol, sediará a Copa do Mundo e levantará a taça. O documento apresenta esses tópicos como “juramento”, mas, a certa altura, eles soam como certeza de vitória.