Região supera a marca de 7 milhões de passageiros no primeiro quadrimestre do ano Folião no bloco Galo da Madrugada, no Recife: turismo e maior conectividade impulsionam movimento nos terminais — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Os aeroportos do Nordeste bateram recorde de movimentação nos primeiros quatro meses do ano. Entre janeiro e abril de 2026, 7,43 milhões de passageiros embarcaram em voos domésticos e internacionais com origem na região - alta de 11,2% em relação ao mesmo período de 2025. É a primeira vez que o Nordeste supera a marca de 7 milhões de passageiros no primeiro quadrimestre na série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), iniciada em 2000. A movimentação internacional, embora menor, registrou o maior crescimento: 32,8% no primeiro quadrimestre na comparação anual, com embarque de 390,4 mil passageiros. O restante partiu de voos domésticos, com aumento de 10,2%. Na avaliação do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, os resultados refletem fatores como o fortalecimento da atividade econômica, a promoção do turismo brasileiro no exterior pela Embratur, a modernização da infraestrutura e a expansão da conectividade aérea. Os investimentos em expansão e modernização vêm na esteira da transferência dos principais aeroportos do Nordeste para a iniciativa privada. As obras ampliaram a capacidade operacional e abriram espaço para novos voos. Com isso, entre 2023 e 2026, o número de rotas ligando a região ao exterior passou de 18 para 42, e o de voos internacionais de 2.430 para 5.390. O Aeroporto Internacional do Recife liderou o ranking de movimentação doméstica na região no primeiro quadrimestre, com o embarque de 1,65 milhão de passageiros. Em seguida aparecem Salvador, com 1,35 milhão, e Fortaleza, com 935 mil. A área construída do terminal do Recife foi ampliada em 40% desde 2020, quando a gestão foi assumida pela Aena Brasil, e a capacidade operacional aumentou 60%, para 15 milhões de passageiros/ano. A concessionária do aeroporto da capital pernambucana não divulga o investimento no aeroporto, mas informa ter destinado R$ 1,9 bilhão em obras e equipamentos para os seis aeroportos do chamado Bloco Nordeste, sob sua gestão. Além do Recife, estão incluídos os terminais de Maceió, João Pessoa, Aracaju, Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE). Em Salvador, a francesa Vinci Airports investiu cerca de R$ 700 milhões em ampliação e modernização desde o início da concessão, em 2017. O terminal passou de 60 mil para 82 mil m2, e o número de portões de embarque aumentou de nove para 19. Segundo o CEO da empresa no Brasil, Júlio Ribas, a expansão foi planejada para atender ao crescimento previsto na demanda. “A gente preparou o aeroporto para atender 15 milhões de passageiros por ano”, afirma o executivo. A ampliação possibilitou a operação de um hub da Gol para conexões domésticas. “Para ter voo internacional, precisa ter conexão doméstica”, destaca Ribas. Como exemplo, ele cita a rota Salvador-Paris, da Air France, na qual 23% dos passageiros chegam por meio de conexões da companhia aérea brasileira provenientes de outras cidades do país. Segundo ele, o maior volume de conexões contribuiu para que o número anual de passageiros dos voos internacionais de chegada ou partida saltasse de cerca de 350 mil, em 2017, para os atuais cerca de 600 mil. Em Fortaleza, a concessionária Fraport informa ter investido, desde 2018, R$ 1,6 bilhão em iniciativas como aumento do número de pontes de embarque de sete para quinze, reforma da pista, substituição de câmaras frias para cargas e adequações operacionais, entre outras. O principal projeto foi a ampliação do terminal de passageiros, cuja área passou de 35 mil para 72 mil m2, como conta a CEO da Fraport, Andreea Pal. Os balcões de check-in hoje somam 60 em comparação com 41 anteriormente. No Rio Grande do Norte, a Zurich Airport Brasil investiu R$ 59 milhões desde que assumiu a operação do Aeroporto Internacional de Natal (que fica na vizinha São Gonçalo do Amarante), em fevereiro de 2024. As obras abrangem climatização, nova sinalização, acessibilidade e remodelação de áreas destinadas aos passageiros, entre outras iniciativas. O valor inclui ainda uma usina solar fotovoltaica de R$ 24 milhões, em construção, conta o CEO Ricardo Gesse. O aeroporto também vem ampliando a presença internacional. Na alta estação, de dezembro a março, o crescimento ficou em 86% na comparação anual, com 74.611 passageiros no embarque e desembarque, segundo a concessionária. Até 2024, Natal se limitava aos voos da TAP para Lisboa. Desde então, a oferta internacional ganhou reforço com as operações da Gol e da JetSmart para Buenos Aires e com a nova rota da Gol para Montevidéu. Além disso, a Latam terá uma rota sazonal para Buenos Aires, com três voos semanais de dezembro ao fim de fevereiro. Em relação aos voos domésticos, foram 964 mil passageiros no primeiro quadrimestre de 2026 - alta de 18% sobre o ano anterior.