[RESUMO] A pesquisadora comenta em entrevista seu livro "Parditude", no qual busca explicar as peculiaridades da experiência parda no Brasil. Para ela, a visão negativa de movimentos progressistas a respeito da miscigenação levou mestiços a um limbo social, excluídos por brancos e negros e ignorados por políticas de reparação, o que turva a compreensão do grupo sobre a própria identidade.

A escritora Beatriz Bueno, 28, afirma que movimentos progressistas colocam o branco como inimigo supremo e, por isso, negam o fruto da miscigenação. Para ela, desassociar a identidade parda da categoria "negros" não representa um retrocesso nas discussões raciais no Brasil, mas um avanço a partir do entendimento das diferentes experiências entre indivíduos lidos como negros e os que habitam o que chama de "limbo racial".

Fruto de uma família miscigenada, ela é autora de "Parditude: Um Guia para te Resgatar do Limbo Racial" (Planeta), em que busca explicar as individualidades da experiência parda.

A autora afirma que pessoas mestiças, como escolhe falar, habitam uma espécie de fronteira, em que são "brancas demais para serem negras e negras demais para serem brancas", ainda que sejam contabilizadas pelo Estatuto da Igualdade Racial como parte dos negros, categoria que inclui pardos e pretos.