A Canadian Broadcasting Corp (CBC), empresa estatal de mídia, anunciou sua entrada como membro pleno da União Europeia de Radiodifusão (UER), órgão que organiza o evento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Festival Eurovisão da Canção, a competição musical extravagante com fãs que se estendem muito além da Europa, terá uma edição asiática em novembro — Foto: Alessandro Grassani/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A emissora pública CBC tornou-se membro pleno da União Europeia de Radiodifusão. A medida garante o direito de o país competir no tradicional festival de música. A aproximação com o evento reflete a estratégia do governo de Mark Carney. O premiê busca estreitar laços com a Europa diante das tensões com os Estados Unidos. Embora nunca tenha competido oficialmente, o Canadá já venceu o festival em 1988. Na ocasião, a cantora Celine Dion representou a Suíça na disputa. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Canadá pode estar a milhares de quilômetros da Europa, mas em breve poderá participar do Festival Eurovision da Canção, a extravagante competição musical assistida por dezenas de milhões de fãs todos os anos. Na quinta-feira, a Canadian Broadcasting Corp (CBC), empresa estatal de mídia, anunciou sua entrada como membro pleno da União Europeia de Radiodifusão (UER), órgão que organiza o Eurovision. A medida abre espaço para a participação no torneio musical. O comunicado de imprensa não mencionou o Eurovision e Leon Mar, porta-voz da emissora canadense, recusou-se a comentar se o Canadá participaria agora: "Teremos mais a dizer sobre o Eurovision mais tarde", disse ele. A próxima edição do Eurovision está prevista para maio, na Bulgária. Uma possível participação do Canadá seria visto tanta como um sinal das ambições globais do torneio, quanto como um desejo do país de se alinhar mais com a Europa, num momento de relações tensas com os Estados Unidos sob o governo Trump. O anúncio da adesão foi feito durante uma reunião de dois dias da União Europeia de Radiodifusão, em Praga. Apesar do nome, o Eurovision há muito tempo inclui países de fora do continente europeu. Israel estreou em 1973 e venceu quatro vezes, e a Austrália participa desde 2015. Este ano, a cantora australiana Delta Goodrem foi uma das atrações mais comentadas. Embora o Canadá nunca tenha competido, alguns cantores canadenses representaram outros países — principalmente Celine Dion, que venceu o concurso de 1988 pela Suíça com a canção “Ne partez pas sans moi”. O Eurovision também expandiu recentemente seu alcance para outro continente: em março, seus organizadores anunciaram que uma edição asiática acontecerá em Bangkok no final deste ano. Apesar dos crescentes rumores entre os fãs do Eurovision sobre o possível envolvimento do Canadá, a participação da CBC seria uma surpresa, visto que há poucos anos a emissora demonstrava pouco interesse em participar. Em 2022, uma produtora de televisão canadense, tentou persuadir a emissora a criar um concurso nacional no qual cantores de diferentes regiões do Canadá competiriam para representar o país no Eurovision. Na época, um porta-voz da CBC declarou à imprensa que a ideia era “proibitivamente cara”. Essa situação mudou no ano passado, quando o Canadá divulgou um orçamento federal que incluía uma frase dizendo que o governo do primeiro-ministro Mark Carney estava "trabalhando com" a CBC "para explorar a participação no Eurovision". Pouco depois do anúncio do orçamento, o ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, disse que o festival era “uma plataforma para o Canadá brilhar”. Na época, a CBC se distanciou desses comentários, afirmando ser independente do governo. A medida parece fazer parte dos esforços de Carney para fortalecer as relações do Canadá com a Europa e outros aliados, como resposta às declarações do presidente Donald Trump sobre a anexação do país como o 51º estado e às tarifas impostas sobre exportações canadenses. Ao assinar um acordo de segurança e defesa há um ano em Bruxelas, Carney chamou o Canadá de "o mais europeu dos países não europeus". Em maio, a CBC enviou três funcionários de seus serviços em francês e inglês para assistir ao evento deste ano, em Viena. William Lee Adams, fundador de um popular canal do YouTube sobre o Eurovision, afirmou que os fãs do concurso provavelmente teriam uma recepção mista caso o Canadá participasse. Embora alguns apreciem o crescente interesse em seu concurso de música favorito, Adams disse que muitos, incluindo ele próprio, veem o Eurovision como “um baluarte contra a hegemonia cultural norte-americana” e um espaço onde as nações europeias têm uma rara oportunidade de apresentar sua cultura em um palco global. A Austrália enfrentou ambivalência semelhante quando aderiu em 2015, disse Adams, e só agora está se livrando das dúvidas sobre sua participação depois de anos enviando apresentações marcantes. Adams acrescentou que alguns fãs veriam a aproximação do Canadá com o Eurovision como "uma distração" das exigências para que o evento excluísse Israel devido às suas ações militares na Faixa de Gaza — uma situação que levou cinco países, incluindo Espanha e Irlanda, a boicotarem o evento deste ano. Daniel Béland, que dirige um instituto de estudos canadenses na Universidade McGill, em Montreal, disse que o interesse de Carney no Eurovision provavelmente estava mais relacionado ao seu desejo de elevar o perfil do Canadá na Europa do que de entreter os telespectadores em casa. — Não creio que a questão seja se os canadenses se importarão ou não, mas sim se isso se encaixa na estratégia dele de se aproximar da Europa — disse Béland. — A presença do Canadá lá é um ponto positivo na perspectiva de Carney.