Estrutura terá energia fornecida pela Axia e será instalada em Belém, a um custo de R$ 250 milhões e capacidade de consumir 7,5 MW Alessandro Lombardi, presidente da Elea Brasil: 'Estamos construindo uma fábrica de gelo no deserto' — Foto: Divulgação A Axia Energia e a Elea Data Center vão instalar o primeiro data center da Amazônia, com foco na inteligência artificial (IA). A central será implantada em uma área próxima à subestação Miramar, da Axia, na zona portuária de Belém, e terá capacidade inicial de consumir 7,5 megawatts (MW) de eletricidade nesta primeira fase. O investimento na primeira etapa é de R$ 250 milhões. A Axia será responsável pelo fornecimento da energia elétrica, que virá por meio das hidrelétricas da empresa, fonte energética vista pela companhia como ideal para atender à demanda constante (“flat”) da Elea. O início da operação comercial está previsto para 2027. O data center, que vai atender a um mercado estimado em 6 milhões de pessoas, começou a ser desenhado em 2024, com a escolha de Belém como sede da COP30. A Eletronet, braço de infraestrutura de telecom da Axia, vai assegurar o tráfego de dados para a Elea, via cabos de fibra ótica instalados nas redes de transmissão de energia. A conexão à rede da Axia, aliada à energia renovável, abre espaço para ampliações futuras do data center, já que há capacidade para “dez vezes mais”, estimou o presidente da Elea Data Center, Alessandro Lombardi. Por não existirem instalações do tipo na Amazônia, clientes que trabalham com tráfego de dados dependem de provedores localizados em Fortaleza, Brasília ou São Paulo. “Estamos construindo uma fábrica de gelo no deserto. O Norte está totalmente desassistido de serviços, infraestrutura digital e isso afeta a competitividade da região”, disse Lombardi. Italo Freitas, vice-presidente de comercialização e soluções em energia da Axia, acrescentou que o Norte do país tem toda uma economia, que inclui indústrias de diversos portes em regiões como a Zona Franca de Manaus, que precisam ser supridas por empresas de tecnologia. Segundo ele, a instalação do data center na Amazonia tem como diferencial a possibilidade de se exportar energia verde para outros países na forma de dados processados na Amazônia. “Se você processa dados no Brasil, é muito mais fácil transportar a energia desse jeito, na forma de dados processados. Tem um potencial enorme”, disse Freitas, explicando que, ao guardar dados que podem ter sido gerados em qualquer lugar do mundo, o data center na prática estará "exportando" a energia usada para sustentar a estrutura de armazenamento no Brasil. Virgínia Fernandes Feitosa, diretora de relacionamento com clientes de grande porte e novas soluções da Axia, afirmou que ao iniciar a oferta de infraestrutura digital, grandes empresas globais de tecnologia poderão atender a esse mercado que hoje é desatendido. Segundo ela, as carências e demandas do mercado ultrapassam o campo da energia elétrica, atividade-chave da Axia. “Energia cada vez mais tem deixado de ser só uma preocupação em relação à compra da comodity, a compra da energia em si”, disse Feitosa. Lombardi, da Elea, reiterou o potencial de expansão do data center em Belém, que pode ocorrer em médio prazo, mas o ritmo depende da adoção de políticas de incentivo à atração desse tipo de negócio pelo país. Segundo ele, a ausência de uma política de data center no país não impede o crescimento do setor, mas retarda uma aceleração da implantação de novas unidades. No caso da Elea, a eventual definição de um arcabouço regulatório pode definir o ritmo de expansão do data center. “Eu diria que se tivesse uma política de incentivo ao data center, poderia ter [uma expansão em] três ou quatro anos. Sem políticas de incentivo, veria esse horizonte mais longo, de cinco ou seis anos”, afirmou Lombardi. “E data center é cada vez mais um grande consumidor de energia”, disse Freitas, da Axia. No mercado, especialistas apontam que um caminho para reduzir os cortes diários de geração de energia renovável está na atração de novas e grandes cargas, especialmente para Norte e Nordeste do país, mais próximos das usinas eólicas e solares em operação. “Associar um data center à segurança energética [significa que] o data center nasce seguro”, disse Freitas.