O ano de 2024 registrou um aumento acentuado nos relatos de novos opioides sintéticos, como o fentanil ou os ainda mais potentes nitazenos Com fentanil, EUA vivem sua pior epidemia de drogas — Foto: Imagem Valor Econômico O comércio global de drogas ilícitas está em plena expansão, com a produção de cocaína e as apreensões de metanfetamina atingindo níveis recordes históricos, apontou um relatório das Nações Unidas divulgado nesta sexta-feira. O documento também alerta para um surto de novas substâncias que estão preenchendo a lacuna deixada pelo colapso na oferta de heroína. A produção de cocaína disparou para aproximadamente 4.100 toneladas métricas de produto puro em 2024, o ano mais recente registrado, o que representa um aumento de quatro vezes em uma década. Ao mesmo tempo, as apreensões de metanfetamina sugerem que a sua produção cresce 13% ao ano, informou o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em seu Relatório Mundial sobre Drogas anual. "Temos visto um pico sem precedentes de novos tipos de drogas no mercado e, preocupantemente, algumas são mais potentes ou perigosas do que antes", afirmou a Diretora Executiva do UNODC, Monica Juma, em comunicado. A produção de ópio no Afeganistão, fornecedor historicamente dominante, despencou em 2023 após o Talibã retomar o poder e proibir o cultivo, e desde então não se recuperou. Isso levou a um declínio na oferta e no consumo de heroína, que é derivada do ópio. Contudo, o ano de 2024 registrou um aumento acentuado nos relatos de novos opioides sintéticos, como o fentanil ou os ainda mais potentes nitazenos, que podem estar preenchendo ao menos parte do vácuo deixado pela queda na oferta de heroína, particularmente na Europa, segundo o UNODC. "Casos de opioides sintéticos do tipo NSP (novas substâncias psicoativas) relatados em sistemas de alerta precoce aumentaram em 2023 e 2024 na maioria das regiões, mas de forma mais proeminente na Europa, Oceania e África, sugerindo uma diversificação recente por parte dos atores do mercado", declarou o órgão. "A América do Norte, onde o fentanil praticamente substituiu a heroína, registrou um aumento de cerca de 10% no número de opioides sintéticos NSP identificados em 2024 em relação ao ano anterior, enquanto esse número subiu mais de 80% na Europa e 150% na Oceania", detalhou o relatório. A oferta e a demanda por cocaína — esta última mais difícil de estimar — continuaram a crescer fortemente, apontou o documento. O relatório também destacou que a forma como a cocaína é consumida mudou, enquanto a pureza aumentou e os preços caíram. "Pesquisas qualitativas conduzidas em 2024 indicam uma expansão do uso de cocaína para ambientes sociais além da vida noturna e sua integração nas rotinas diárias, juntamente com um aumento no uso de 'crack' entre grupos socioeconomicamente desfavorecidos e uma transição do uso de heroína para o 'crack'", apontou o relatório. Dados de pessoas que recebem tratamento para o uso de drogas sugerem fortemente um aumento no consumo de crack na Europa Ocidental e Central a partir de 2015, acrescentou o órgão.