A costureira Elisângela Santos, 45, descobriu que estava com câncer de mama em julho de 2023. Em outubro, antes de iniciar a quimioterapia, ela fez uma mastectomia radical —removeu completamente as duas mamas— em um hospital público de Curitiba.
Apesar de ter ultrapassado os 60 dias que a legislação brasileira orienta para o início do tratamento, Elisângela diz que achou o processo surpreendentemente rápido. Por isso, quando não conseguiu ter garantido o direito de fazer a reconstrução mamária logo após a mastectomia, relevou. Os médicos disseram que não havia expansor nem prótese disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde).
Desde 1999, a lei brasileira garante à mulher o direito à cirurgia plástica reconstrutiva da mama após mastectomia por tratamento oncológico. Em 2013, outra norma garantiu que a cirurgia acontecesse no mesmo ato da mastectomia. Em 2025, o direito foi expandido para além do tratamento oncológico e, neste ano, para cirurgias conservadoras de mama (quando há remoção apenas do tumor e de uma margem de tecido saudável).
As duas primeiras medidas, entretanto, ainda não são cumpridas integralmente. Entre 2014 e 2024, apenas 17% das mulheres que realizaram mastectomia após câncer conseguiram fazer a reconstrução mamária pelo SUS, segundo dados do Datasus disponibilizados em plataforma do Ministério da Saúde.








