O The New York Times alterou sua ação judicial contra a OpenAI e a Microsoft nesta quinta-feira, modificando uma das acusações contra a Microsoft e retirando outra contra a OpenAI, de acordo com um documento protocolado em um tribunal federal. Na ação, o Times alegou que a OpenAI e a Microsoft infringiram seus direitos autorais. A empresa de mídia também acusou a Microsoft de violação "contributiva", em parte porque forneceu o poder computacional que a OpenAI utilizou para desenvolver suas tecnologias de IA. Em um documento apresentado nesta quinta-feira ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, o Times acusou a Microsoft de incentivar a OpenAI a treinar seus sistemas de IA utilizando artigos protegidos por direitos autorais do jornal, além de fornecer serviços projetados para facilitar esse treinamento. O Times também retirou uma alegação presente em sua ação original, apresentada em 2023, na qual acusava a OpenAI de violação "secundária" de direitos autorais por não impedir que consumidores e empresas gerassem, com o uso da IA, conteúdos protegidos por direitos autorais. "Como alegamos há muito tempo, a Microsoft incentivou ativamente a OpenAI a se apropriar ilegalmente de nossas obras protegidas por direitos autorais", afirmou Graham James, porta-voz do Times, em comunicado. "Além de modificar essa alegação e concentrar o caso em seus argumentos mais fortes, nossas acusações centrais permanecem as mesmas desde o dia em que entramos com esta ação." Um porta-voz da OpenAI, Drew Pusateri, declarou nesta quinta-feira: "Nossos modelos impulsionam a inovação, são treinados com dados disponíveis publicamente e se baseiam no princípio do uso justo (fair use)." O porta-voz da Microsoft, Frank X. Shaw, acrescentou: "Essas alegações foram amplamente examinadas ao longo de um processo de produção de provas que durou um ano e não encontram respaldo. Esta é uma tentativa de última hora da autora de salvar sua alegação diante de precedentes desfavoráveis estabelecidos em decisões judiciais recentes." Anteriormente, a OpenAI e a Microsoft já haviam negado qualquer irregularidade, afirmando que respeitam os direitos dos criadores de conteúdo. A OpenAI também argumentou em um documento judicial que o ChatGPT não substitui uma assinatura do New York Times. O Times foi a primeira grande empresa de mídia dos Estados Unidos a processar a OpenAI por questões de direitos autorais relacionadas às suas obras escritas. Romancistas, programadores de computador e outros grupos também moveram ações semelhantes contra a OpenAI e outras empresas que desenvolvem tecnologias de IA. Atualmente, existem mais de 40 processos desse tipo em andamento no país. Em um acordo firmado em setembro, a Anthropic, uma das principais concorrentes da OpenAI, concordou em pagar US$ 1,5 bilhão a um grupo de autores e editoras após um juiz decidir que a empresa havia baixado e armazenado ilegalmente milhões de livros protegidos por direitos autorais. Em dezembro, o Times entrou com outra ação judicial, alegando que seus direitos autorais estavam sendo repetidamente violados pela Perplexity, uma startup de IA que desenvolveu um mecanismo de busca na internet. Assim como outras empresas de inteligência artificial, a OpenAI desenvolveu suas tecnologias alimentando seus sistemas com enormes quantidades de dados digitais, parte dos quais é protegida por direitos autorais. Há muito tempo as empresas de IA sustentam que podem utilizar legalmente esse material para treinar seus sistemas sem pagar por ele, argumentando que transformam o conteúdo para uma finalidade diferente. Ao acusar a OpenAI de violação de direitos autorais nesta quinta-feira, o Times apresentou diversos exemplos de um chatbot da OpenAI fornecendo aos usuários trechos quase idênticos aos de seus artigos, os quais, de outra forma, só poderiam ser acessados mediante assinatura paga.