Para o padre Robson André Gavioli de Mattos, o conceito de lar não estava mais conectado às coordenadas geográficas de sua infância no interior paulista, em São José do Rio Preto.

O religioso se mudou para Ucrânia, no leste europeu, em 2012, para ser missionário. Após iniciar seus estudos em 2011 no Seminário Missionário Redemptoris Mater, em Brasília, ele aceitou ser enviado para estudar filosofia e teologia na Diocese de Vinítsia, cidade a 360 km da capital Kiev.

Quando o conflito estourou na Ucrânia em 2022 e as rotas de fuga se abriram para os estrangeiros, ele escolheu ficar. Àqueles que tentavam convencê-lo a retornar ao Brasil ele respondia com a serenidade de quem encontrou seu destino: "Eu já estou em casa".

Essa escolha não foi apenas geográfica, mas espiritual. Ele acreditava firmemente que a Ucrânia era o lugar para o qual Deus o havia enviado para servir junto à população, mesmo diante dos riscos extremos da guerra.

Foi entre os bombardeios e a acolhida aos refugiados que sua missão em Khmelnytsky ganhou contornos de entrega absoluta até sua morte, aos 36 anos, no último dia 6 de junho.