Entre a quimioterapia para tratar de um linfoma no duodeno e a própria campanha à Câmara dos Deputados, o ex-ministro José Dirceu tem se dedicado, em geral por videoconferência, a organizar o PT e as alianças nas disputas regionais e legislativas. Buscar maior equilíbrio na correlação de forças no Congresso, acredita, é um dever do campo progressista e da frente ampla que apoiou o presidente Lula em 2022. Lúcido, como sempre, e realisticamente otimista, Dirceu acredita que o eleitorado vai rejeitar nas urnas o senador Flávio Bolsonaro, representante, segundo ele, não de um projeto de País, mas de interesses familiares. A interferência dos Estados Unidos, prossegue, não terá o efeito imaginado pela Casa Branca e tende a prejudicar a campanha do filho 01 do ex-presidente condenado por tentativa de golpe. “Ao se aliar ao Trump”, afirma, Flávio “se une a uma agenda antiambiental, homofóbica, racista, misógina e autoritária”. Os efeitos eleitorais da operação policial contra Jaques Wagner, a proposta de reforma do Judiciário e os rumos de um eventual quarto mandato de Lula foram outros temas analisados na entrevista a seguir. A íntegra está no canal do YouTube de CartaCapital.
CartaCapital: Como o senhor tem se sentido?José Dirceu: O linfoma é curável, mas agressivo. Vou para a terceira sessão de quimioterapia na segunda-feira 29. Como a medicina evoluiu muito, a quimio é menos invasiva. Nos últimos 21 dias, em ao menos dez me senti muito bem. Tenho dado muitas entrevistas, participado de várias atividades por vídeo, comparecido em cerimônias por telão. Trabalho para o PT eleger mais deputados.









