Taxa Selic, por sua vez, deverá encerrar o ano em 14% e cair para 12% ao fim de 2027 A Instituição Fiscal Independente (IFI) atualizou as suas projeções para os indicadores macroeconômicos e fiscais do país. O órgão de monitoramento das contas públicas espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2% em 2026 e 1,8% em 2027, ante as projeções anteriores de crescimento de 1,7% e 2%, respectivamente. Para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa é que o índice fique em 5% em 2026, e 4% em 2027, ante 3,9% e 3,5% nas projeções anteriores. O principal motivo para a piora na revisão da inflação foi o conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, pressionando os preços do petróleo e de insumos, como fertilizantes. O conflito também contribuiu para uma menor projeção do PIB em 2027, diz a IFI. "O movimento reforçou as pressões inflacionárias globais e contribuiu para a deterioração das perspectivas de crescimento econômico no curto prazo", afirma a instituição em seu Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado nesta quinta-feira. A taxa Selic, por sua vez, deverá encerrar o ano em 14% e cair para 12% ao fim de 2027. As projeções anteriores eram de uma Selic de 12% ao fim deste ano e de 10,5% no próximo. Do ponto de vista fiscal, a IFI calcula que as receitas primárias líquidas deverão alcançar 18,9% do PIB em 2026 e 18,7% em 2027, caindo para 18,3% do PIB no médio prazo. As despesas primárias devem atingir 19,2% do PIB em 2026 e 19,3% em 2027, crescendo até 19,9% em 2032 e acomodando-se no nível médio de 19,4% do PIB nos anos posteriores. O relatório aponta a persistência de déficits primários efetivos recorrentes nas contas do governo central, a despeito das projeções do governo de que será possível conseguir alcançar superávits primários nos próximos anos. Em relação ao endividamento público, a IFI projeta que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) vai subir de 80,1% do PIB, registrados em abril deste ano, para 82,5% ao fim de 2026, avançando até alcançar 102% em 2032 e 115% do PIB em 2036. A IFI calcula, ainda, que seria necessária a geração de superávit primário de 2,1% do PIB, a cada ano, para a estabilização da relação dívida/PIB. Considerada a permanência das regras fiscais, a IFI alerta para um cenário "preocupante e desafiador para o próximo mandato presidencial, caracterizado por déficits primários anuais permanentes e crescentes, dificuldade de cumprimento das metas fiscais e insuficiência do limite de despesas do arcabouço fiscal". "O crescimento do endividamento caracteriza uma situação que pode se tornar insustentável no médio prazo", alertam o diretor-executivo Marcus Pestana e o diretor Alexandre Andrade. — Foto: José Cruz/Agência Brasil