Televisões focam nos artistas com objetivo de trazer elementos tradicionais dos esportes norte-americanos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Tom Cruise, David e Victoria Beckham em EUA x Paraguai, em Los Angeles, na Copa do Mundo — Foto: Stu Forster / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 19:57 Copa do Mundo nos EUA aposta em celebridades para atrair público A Copa do Mundo nos EUA adota estratégia similar à NBA e NFL, focando em celebridades nas transmissões para atrair o público. Nomes como Tom Cruise e Katy Perry são destacados, buscando validar o evento para os americanos, pouco familiarizados com o "soccer". Especialistas alertam que essa tática visa criar um efeito de validação e interesse, mas pode não agradar fãs tradicionais de futebol, que criticam a superexposição das celebridades. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A seleção dos Estados Unidos começou bem a Copa do Mundo em casa, e, já garantida no mata-mata, busca a terceira vitória na competição nesta quinta-feira, contra a eliminada Turquia, às 23h (de Brasília), em Los Angeles, pelo Grupo D. Os jogos dos EUA, porém, não ficam limitados às quatro linhas do gramado e sobem as arquibancadas, onde as transmissões fazem uma “forte marcação” nas celebridades. Tom Cruise, David e Victoria Beckham, Paris Hilton, Leonardo DiCaprio, Katy Perry, Owen Wilson, Sofia Vergara, Bill Gates, Kareem Abdul-Jabbar... todos foram flagrados nos estádios ao menos uma vez durante as transmissões dos jogos dos Estados Unidos. E isso não é coincidência. O “celebrity spotting” (avistar celebridades, em tradução livre) faz parte do espetáculo televisivo dos esportes americanos, especialmente NBA e NFL: se um artista está na arena ou no estádio, a câmera vai atrás. Agora, o objetivo é levar essa estratégia para os jogos de futebol na Copa, como uma forma de tentar aproximar o público americano não tão familiarizado com o esporte, que por lá é conhecido como “soccer”. A responsável pela tarefa na Copa é a HBS (Host Broadcast Services), empresa contratada pela Fifa para captar e escolher as imagens. Apesar do foco nas artistas, não há uma cartilha da entidade nesse sentido. A HBS reproduz o modus operandi que já adota em outros eventos esportivos. Artistas nos jogos dos Estados Unidos nessa Copa 1 de 6 Paris Hilton em Estados Unidos x Austrália, em Seattle, na Copa do Mundo — Foto: Emilee Chinn / Getty Images via AFP 2 de 6 Leonardo DiCaprio, de boné, aparece na transmissão de Estados Unidos x Paraguai na abertura da Copa do Mundo — Foto: Reprodução X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Sofia Vergara e Owen Wilson no jogo Estados Unidos x Paraguai na abertura da Copa do Mundo — Foto: Jamie Squire / Getty Images via AFP 4 de 6 Kareem Abdul-Jabbar na transmissão de Estados Unidos x Paraguai na Copa do Mundo — Foto: Reprodução X de 6 Publicidade 5 de 6 Bill Gates na estreia dos Estados Unidos na Copa do Mundo — Foto: Reprodução / TV Globo 6 de 6 Katy Perry e Justin Trudeau em Estados Unidos x Paraguai na Copa do Mundo — Foto: Reprodução / TV Globo X de 6 Publicidade Artistas nos jogos dos Estados Unidos nessa Copa — É comum na NBA a gente ver o “courtside”, as celebridades bem vestidas na beira da quadra, sendo mostradas o tempo todo. Já na NFL temos um grande exemplo, Taylor Swift, que vai a todos os jogos do Kansas City Chiefs para ver o noivo (Travis Kelce) — diz Fred Pollastri, especializado em Gestão e Marketing que atuou como COO da Orlando City Holdings, grupo empresarial que gerencia franquias de futebol como Orlando City (masculino) e Orlando Pride (feminino). A tática americana fora dos gramados, explica Pollastri, não é apenas uma estratégia de paparazzi, mostrando o que as celebridades fazem, mas uma mensagem aos consumidores. Se pessoas tão badaladas como Tom Cruise e Paris Hilton vão ao estádio ver um jogo de Copa do Mundo, significa que algo de interessante existe ali. — É uma certa validação da espetacularização do evento. E aí você cria alguns sentimentos nos consumidores. Ou seja, quem está vendo aquilo fala: “se essas pessoas que eu admiro tanto estão ali, eu também quero estar”. E isso valoriza o produto de certa forma — acrescenta. — Então, eles focam nas celebridades e criam esse mecanismo psicológico na cabeça do consumidor para validar o evento e criar sentimentos como efeito bandwagon (efeito manada) e FOMO (medo intenso de ficar de fora de experiências que outros estão vivendo). De acordo com o especialista, a presença das celebridades nos estádios manda a mensagem ao público de que o futebol é gigante e de que vale a pena comprar um ingresso para estar ali também. —É uma tentativa de trazer elementos dos esportes tradicionais americanos para o futebol — completa. Apesar de os Estados Unidos darem uma goleada nas outras seleções na quantidade de celebridades nos estádios — até porque jogam em casa nesta Copa —, eles não são os únicos. A cantora colombiana Shakira, por exemplo, foi assistir à Argentina x Áustria, na segunda rodada, enquanto o ator canadense Ryan Reynolds marcou presença em Canadá x Áustria. Outra seleção que atrai muitas celebridades é a brasileira. Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho foram flagrados assistindo a Brasil x Haiti. O Fenômeno também apareceu na transmissão de Brasil x Marrocos com Roberto Carlos e Kaká. Além deles, o cantor americano Travis Scott e o ex-jogador de futebol americano Tom Brady — considerado um dos maiores da história da NFL — foram ao estádio na estreia da seleção. Já contra a Escócia, Camila Cabello e Beckham foram flagrados pela transmissão. Ronaldo e Ronaldinho assistem juntos a Brasil x Haiti — Foto: Reprodução Embora o “celebrity spotting” seja comum nos Estados Unidos, outros públicos não estão acostumados com esse estilo de transmissão. Nas redes sociais, torcedores de outros países, mais fiéis ao futebol, criticaram a cultura de celebridades. — Câmeras focando mais nas celebridades do que nos torcedores, isso é coisa da NBA e da NFL, não do futebol. Futebol é principalmente para os torcedores — diz uma postagem no X. — As transmissões continuam promovendo a cultura das celebridades quando a verdadeira atmosfera sempre foi dos torcedores no estádio — comenta outro perfil na rede social. (Colaborou João Pedro Fonseca, dos Estados Unidos).