Previdência privada, imóveis, renda fixa e ações ganham espaço no portfólio, mostra pesquisa Tsunami Prateado Layla Vallias: renda da aposentadoria vira item em arsenal de vários recursos — Foto: Bruna Bento/Divulgação A participação de investimentos financeiros na composição da renda dos brasileiros com mais de 50 anos (50+) saltou de 3% em 2021 para 16% em 2026. A previdência privada quadruplicou sua parcela, ao passar de 3% para 12%, enquanto a renda proveniente de imóveis cresceu de 8% para 13%, considerando o mesmo período de comparação. Os dados são parte da terceira edição da pesquisa Tsunami Prateado, antecipada com exclusividade ao Valor. Com uma expectativa de vida de 76,6 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro aumentou a diversificação das fontes de receita e também do portfólio de investimentos, mostrou o estudo da consultoria data8, especializada em economia da longevidade, ou economia “prateada”, em referência aos cabelos grisalhos das pessoas mais velhas. Entre as aplicações financeiras, a fatia da poupança caiu de 63% em 2021 para 39% em 2026. Ao mesmo tempo, aumentaram as parcelas de renda fixa e multimercado (de 7% para 21%), ações (1% para 12%) e previdência privada (5% para 16%), também entre 2021 e 2026. Esse dado da previdência se refere ao percentual dos entrevistados que citou este tipo de aporte na sua carteira de investimentos. Os números não somam 100% uma vez que as pessoas da amostra podem escolher mais de uma opção (ver arte abaixo). “A maior longevidade significa mais tempo para realizar sonhos, mas traz uma pressão financeira muito grande. Aí entra o conceito do ‘money span’, a extensão da vida que puxa a necessidade de mais dinheiro. Como é que seu bolso e sua conta bancária vão dar conta dessa vida mais longeva? Como manter a autonomia financeira?”, diz Layla Vallias, uma das coordenadoras do estudo. Mais e mais pessoas terão que cuidar do financiamento da longevidade por conta própria” Na equação do financiamento de uma vida mais longa, conta também a redução da taxa de fecundidade, que reduz a população mais jovem, tradicionalmente responsável pelos sistemas públicos de previdência. A pesquisa Tsunami Prateado entrevistou 3.298 pessoas de 50 anos ou mais em todo o país no início de 2026, e os resultados foram reponderados para refletir o perfil dessa população pelo Censo Demográfico 2022, do IBGE. Além disso, houve uma etapa de entrevistas qualitativas. Na análise de Vallias, os dados mostram uma maior consciência dos brasileiros sobre o fato de que vão viver por mais tempo e dá indícios de que, de alguma forma, estão se preparando para isso. “O Tsunami Prateado de 2026 mostra uma nova arquitetura financeira. A renda da aposentadoria deixa de ser vista como um momento de pausa, o fim da vida do trabalho, e vira um produto financeiro, dentro de um arsenal de outros recursos que vão te bancar. Há uma visão de que não dá para contar só com a aposentadoria”, diz. A preocupação com a situação financeira aparece de forma clara em outra parte do estudo. Mais da metade (51%) das pessoas de 50 anos ou mais acreditava que não poderia parar de trabalhar, bem acima do percentual de 39% da primeira edição da pesquisa, em 2018. O sentimento de exclusão no mercado de trabalho recuou, de 43% em 2021 para 27% em 2026, embora ainda ultrapasse um quarto da população nessa faixa etária. Nesse contexto de mudança demográfica, é cada vez maior a variedade de produtos financeiros com foco na preparação para os gastos dessa etapa de vida. A longevidade é um dos eixos de crescimento do banco suíço Lombard Odier nos próximos anos. “O financiamento da longevidade é um desafio. Com menos gente para financiar os sistemas públicos de aposentadoria, mais e mais pessoas terão que cuidar do financiamento da longevidade por conta própria. O setor financeiro, principalmente de seguros, mas também administradores de ativos estão cada vez mais atentos a isso”, diz a chefe de estratégia de investimentos, sustentabilidade e pesquisa e diretora de mercados emergentes do Lombard Odier, Nannette Hechler-Fayd’herbe. Seguros de vida individuais - com prazo determinado, sem cobertura vitalícia nem transferência a beneficiários -, seguros para cobrir acompanhantes ou instituições de longa permanência em idade mais avançada e fundos de investimento com administração ativa para fases pré e pós-aposentadoria são algumas das alternativas oferecidas pela indústria financeira mundial com foco no mercado de longevidade. A transmissão ou não dos recursos do seguro para herdeiros, por exemplo, determina o custo do produto. No Lombard Odier, explica Hechler-Fayd’herbe, há uma estratégia de trabalhar o foco na longevidade também entre os clientes mais jovens, que podem aproveitar as vantagens dos juros compostos ao longo do tempo. “Mesmo com poucos recursos, os mais jovens se beneficiam do tempo mais longo de acúmulo das reservas e dos juros compostos, além dos incentivos fiscais de muitos países para esse tipo de investimento.” O tema da economia prateada entrou também na estratégia da International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado. A Iniciativa de Economia Prateada da IFC na América Latina oferece assessoria técnica a seis instituições financeiras do Brasil e outros cinco países para o desenvolvimento de produtos e serviços financeiros, iniciativas de empregabilidade, apoio ao empreendedorismo e educação financeira.
Avança a diversificação de investimentos entre os 50+
Previdência privada, imóveis, renda fixa e ações ganham espaço no portfólio, mostra pesquisa Tsunami Prateado








