Um vídeo publicado nesta semana pela empresa Garopadroni viralizou nas redes sociais ao mostrar uma baleia-franca abrindo a boca na Praia de Garopaba, em Santa Catarina . A cena impressionou internautas pela dimensão da abertura do animal e gerou comentários como “cê tá louco”, “surreal, arrepiei” e “isso aí engole de tudo”. Mas será que uma baleia realmente seria capaz de engolir um ser humano inteiro? A resposta curta é não. Pelo menos não no caso da baleia-franca, espécie comum no litoral brasileiro durante o inverno. Apesar de atingir entre 15 e 18 metros de comprimento e pesar até 40 toneladas, o animal possui uma garganta estreita, adaptada para uma dieta baseada em plâncton, krill e pequenos organismos marinhos. Adeus, Pinóquio. E desculpe, Jonas Para esclarecer a dúvida, o GLOBO encontrou a bióloga e mestranda em Biologia Marinha Bia, que produz conteúdo sobre o oceano nas redes sociais. Em um vídeo publicado em abril, ela explica que o tamanho da boca das baleias costuma alimentar um medo comum entre banhistas e mergulhadores, mas que esse receio não encontra respaldo na anatomia desses animais. "As baleias realmente são muito grandes e têm uma boca gigantesca, mas uma garganta bem pequenininha. Então é literalmente impossível passar um humano ali", afirma. Segundo a especialista, espécies como a baleia-franca e a jubarte são filtradoras. Em vez de dentes, elas possuem barbatanas feitas de queratina, que funcionam como uma espécie de peneira. O animal engole grandes volumes de água e depois a expulsa, retendo apenas pequenos peixes, krill e crustáceos que servirão de alimento. Confira: Mesmo a baleia-azul, o maior animal do planeta, não conseguiria engolir uma pessoa. Embora tenha uma boca enorme, seu esôfago mede cerca de 10 centímetros de diâmetro, tornando impossível a passagem de algo muito maior que uma laranja. No caso das jubartes, a garganta chega a aproximadamente 38 centímetros de largura, ainda insuficiente para a passagem de um ser humano. A imagem popularizada por histórias como a de Pinóquio ou pelo relato bíblico de Jonas, portanto, pertence mais ao campo da ficção do que da biologia. Especialistas explicam que, caso uma pessoa fosse acidentalmente atingida pela boca de uma grande baleia, os riscos estariam relacionados ao impacto e ao esmagamento, e não à possibilidade de ser engolida e digerida. Baleia-franca abre a boca em vídeo viral — Foto: Reprodução/@garopadroni Há uma exceção teórica entre os grandes cetáceos: a cachalote. Diferentemente das baleias filtradoras, ela possui dentes e se alimenta de lulas-gigantes que podem ultrapassar 18 metros de comprimento. Por isso, sua anatomia permitiria engolir um ser humano. Ainda assim, trata-se de uma hipótese extremamente rara e distante da realidade da maioria dos encontros entre pessoas e baleias. Especialistas ressaltam que o principal cuidado ao observar esses animais não é o medo de ser devorado, mas o respeito à distância segura. Com dezenas de toneladas e movimentos poderosos, uma aproximação inadequada pode resultar em acidentes tanto para humanos quanto para os próprios animais. Assim, o vídeo que assustou a internet revela algo impressionante, mas não exatamente perigoso: por maior que seja o bocão da baleia-franca, ela continua preferindo um cardápio de krill e plâncton. Pinóquio e Jonas que perdoem, mas a ciência garante que ser engolido por uma baleia está muito mais próximo das histórias do que da vida real.
Baleia-franca é flagrada em SC com a boca aberta e impressiona: afinal, ela poderia engolir uma pessoa? Bióloga explica
De Jonas a Pinóquio, crença popular atravessa gerações e a internet, mas a ciência tem uma resposta para a questão






