Horário de verão nos EUA e Canadá adianta os relógios em uma hora Seleção da Alemanha na Copa do Mundo 2026 — Foto: Annegret Hilse/Reuters O horário de verão, criado pela Alemanha que joga contra o Equador nesta quinta-feira (25), é o que impede que boa parte das partidas da Copa do Mundo de 2026 comece ainda mais tarde para a maioria dos brasileiros. Estados Unidos e Canadá adotam a medida como forma de economizar energia, o que, por consequência, evita que parte dos jogos comecem para além das 22h e 1h do horário de Brasília. Mesmo que a Fifa tenha determinado que os jogos ocorram em quatro horários principais, eles variam para os brasileiros devido aos fusos horários dos locais em que as partidas são realizadas. Com três países sede, a Copa do Mundo de 2026 ocorre em 4 fusos diferentes. São eles: Costa Leste (UTC-4), (jogos em Nova York/Nova Jersey, Boston, Filadélfia, Miami, Atlanta e Toronto), que está com horário de verão em vigor: +1 hora em relação ao horário de BrasíliaRegião Central (UTC-5), (jogos em Dallas, Houston, Kansas City), que está com horário de verão em vigor: +2 horas em relação ao horário de BrasíliaMéxico (UTC-5): +2 horas em relação ao horário de BrasíliaCosta Oeste (UTC-7), (jogos em Los Angeles, São Francisco, Seattle e Vancouver), que está com horário de verão em vigor: +4 horas em relação ao horário de Brasília O horário de verão é herança da Alemanha da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Com a missão de economizar combustível, o país embarcou em uma ideia até então ainda não testada: adiantar os relógios de toda a população em uma hora durante os meses mais quentes. O que foi tratado como piada por séculos tornou-se uma estratégia bem-sucedida de guerra e é copiada por outros países até hoje. Com a adoção do horário de verão (daylight saving time, em inglês, e sommerzeit, em alemão), a população acorda "mais cedo" do que no horário habitual e consegue aproveitar mais a luz natural do sol, reduzindo o uso de energia nos horários de pico, já que passa a anoitecer mais tarde. A ideia partiu inicialmente de um ensaio bem-humorado de Benjamin Franklin em 1784 —antes mesmo da invenção da energia elétrica—, segundo a Encyclopedia Britannica. Em uma carta enviada ao Jornal de Paris (com o título "An Economical Project for Diminishing the Cost of Light"), Franklin discursava sobre a possível economia em cera de vela caso a população acordasse mais cedo, de acordo com o raiar do sol, mas com uma crítica velada à aristocracia. Outros estudiosos voltaram ao assunto de mexer nos relógios durante as estações mais quentes do ano depois disso, como o neozelandês George Vernon Hudson, que queria ter mais luz para estudar no fim do dia, em 1895; e o inglês William Willett, que iniciou uma campanha pela mudança para conseguir jogar golfe aos finais de tarde. Porém, o projeto foi adotado pela primeira vez em escala nacional apenas em 1916, pelo governo da Alemanha, como estratégia para economizar carvão. Foi uma medida para lidar com um bloqueio naval inglês que cortou importações de combustível e parafina, usadas na fabricação de velas. Segundo registros históricos, houve muita confusão nos primeiros dias: trabalhadores chegando adiantados ou atrasados em seus postos e muitas reclamações da população, segundo o antigo jornal alemão Münchner Neuesten Nachrichten. Leitores enviaram cartas aos jornais e expressaram o temor de que o novo horário fosse um truque para explorar ainda mais a mão de obra nas fábricas. Museu do Relógio na Alemanha; exposição sobre o primeiro horário de verão — Foto: Alliance/dpa/P. Seeger Os efeitos logo foram sentidos. A cidade alemã Bremen, por exemplo, registrou economia de pelo menos 344 toneladas de carvão durante o período do horário de verão (de 30 de abril a 1º de outubro de 1916), segundo a agência de notícias alemã Deutsche Welle. Logo, outros países da Europa e os Estados Unidos adotaram a medida com o mesmo objetivo, e o horário de verão foi se espalhando pelo Ocidente. Horário de verão no Brasil No Brasil, a medida foi adotada pela primeira vez em 1931, no governo de Getúlio Vargas, e foi suspensa oficialmente em 2019, no governo de Jair Bolsonaro. A justificativa para revogar o horário de verão foram estudos que constataram que a medida deixara de produzir os benefícios esperados de economia de energia e redução de demanda, pois os hábitos dos consumidores mudaram e o maior consumo diário foi deslocado para o período da tarde. De lá para cá, o governo federal avaliou que não foi necessário readotar a medida. Ainda assim, o Ministério de Minas e Energia afirma que segue avaliando periodicamente a política pública por meio do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Na manifestação mais recente, em outubro passado, o ministro Alexandre Silveira afirmou que o planejamento e índice fluvial dos últimos anos mantêm o país em segurança energética e sem necessidade de adotar o mecanismo em 2026.
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Horário de verão nos EUA e Canadá adianta os relógios em uma hora














