É inevitável noticiar, na primeira onda séria de frio do ano, as baixas temperaturas alcançadas nas cidades das serras do sul do país, e as belas imagens das paisagens cobertas de gelo fotografadas por deslumbrados turistas que correm atrás de algo semelhante à neve tão rara por estas bandas. Nesta quarta-feira (24), as cidades catarinenses de Bom Jardim da Serra e Urupema quase bateram os -10ºC na madrugada e 44 municípios do estado amanheceram com temperaturas negativas, ou seja, abaixo de zero. Enquanto isso, por toda a região, muitos mochileiros e montanhistas preparam as tralhas para aproveitar a alta temporada do esporte. Povo doido, né não?

Nem tanto. Quem sai para uma boa caminhada pelas trilhas mais badaladas do país, como a Transmantiqueira, que percorre quase 1.000 quilômetros cruzando os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, já sabe que vai encontrar um bom nível de frio. E sabe, principalmente, que precisa se prevenir para evitar a temida hipotermia —segunda maior causa evitável de óbitos em ambientes remotos em todo o mundo, e que ocorre quando o organismo perde mais calor do que consegue produzir e a temperatura do corpo cai abaixo dos 35ºC.

Os sintomas da hipotermia começam com os conhecidos tremores incontroláveis, o famoso bate-queixo, a pele gelada e pálida, sensação de dormência, falta de coordenação motora, cansaço extremo e dificuldade na fala. Se não contornada a causa, logo os tremores param, sinalizando que o organismo não mais reage, e a encrenca só piora. A pessoa fica sonolenta e seu comportamento é irracional, sendo conhecidos casos de, em baixas temperaturas extremas, nas altas montanhas nevadas, a pessoa afetada acabar tirando suas roupas e se expondo ainda mais ao frio, com o termostato corporal irremediavelmente abalado. Daí em diante, vêm a inconsciência, as pupilas dilatadas e, enfim, o risco de parada cardiorrespiratória.