A aguardada estreia de Neymar na Copa do Mundo pode acontecer nesta quarta-feira, no último jogo do Brasil pela fase de grupos, contra a Escócia. O camisa 10 ficou de fora das duas partidas anteriores da seleção no campeonato em decorrência de uma lesão de grau 2 na panturrilha. O incidente que deixou o jogador 37 dias longe dos gramados é só mais uma entre outras tantas lesões que assolam a carreira do craque. Ao todo são 36 desde que o santista estreou no futebol profissional, o que resultou em um total de 287 partidas perdidas por conta de períodos de recuperação. A soma dos períodos de tratamento do camisa 10 também é grande: ao longo de 13 anos de atividade, Neymar ficou afastado dos campos para tratamento por mais de 1600 dias, o que equivale a cerca de 4 anos e meio. A sua primeira lesão significativa foi aos 22 anos, em 2014, quando precisou se afastar por um mês do Barcelona por conta de uma entorse nos tendões peroneais do tornozelo direito. De lá para cá, o número de incidentes com o jogador foi aumentando progressivamente. No início de 2018, já em atividade pelo Paris Saint-German, o atacante teve a infelicidade de coincidir uma ótima fase no clube com o seu primeiro período de tratamento longo. Em fevereiro daquele ano, Neymar voava na temporada europeia somando 28 gols em 19 jogos. Entretanto, ele sofreu uma fissura no 5º metatarso do pé direito, que o afastou por três meses das partidas do time. No ano seguinte, ainda na equipe francesa, o destaque do craque continuava, mas foi perseguido por uma série de lesões, que resultaram em mais de 200 dias longe dos gramados. O golpe mais duro da carreira Já pela seleção brasileira, Neymar sofreu alguns dos seus golpes mais duros. Em 2014, o jogador sofreu uma entrada violenta nas costas quando disputava as quartas de final da Copa contra a Colômbia. A falta cometida por Camilo Zúñiga causou uma fissura na lombar do Brasileiro e o tirou da competição. Quem sabe o atacante não tivesse sido decisivo para evitar a larga vitória de 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na partida seguinte, na semifinal. Neymar é o nome mais clamado pelos brasileiros para defender a seleção canarinho desde aquele Mundial. Nas Copas seguintes, da Rússia e do Catar, em 2018 e 2022, o craque esteve livre de lesões e conseguiu apresentar boas atuações, apesar do Brasil ser eliminado nas quartas em ambas. Neymar deixa o gramado de Brasil e Uruguai aos prantos — Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFP O seu momento mais difícil vestindo a verde e amarela viria em 2023, ano mais caótico da carreira do craque. Depois de enfrentar mais de 160 dias de períodos de recuperação por conta de problemas no tornozelo e musculares, o craque, que estava saindo do PSG rumo ao árabe Al-Hilal, foi convocado para duas Datas Fifa. O último jogo da segunda convocação, contra o Uruguai pelas eliminatórias da Copa, foi palco do momento mais traumático da carreira do camisa 10. Naquela partida, em outubro de 2023, Neymar sofreu um rompimento do ligamento cruzado anterior e uma lesão no menisco que custaram quase um ano longe do futebol. — Quando o atleta rompe o LCA e também lesiona o menisco, o quadro é mais complexo. Não se trata apenas de reconstruir um ligamento. É preciso recuperar estabilidade, força, controle neuromuscular, confiança e capacidade de suportar impacto repetido. Para um jogador como o Neymar, isso tem grande peso, porque seu jogo sempre dependeu de explosão, drible curto e mudança rápida de direção, tudo apoiado num joelho estável e confiável — afirma Thiago Lima, Ortopedista e Coordenador do Centro Cirúrgico da Casa de Saúde São José. Volta ao Santos e à seleção brasileira Quando enfim se reestabeleceu, em 2024, o ponta só tinha cinco partidas disputadas pelo clube árabe e participaria apenas de mais dois jogos naquele ano. Em 17 meses de Al-Hilal, foram apenas sete jogos, um gol e três assistências. A baixa foi consequência da longa recuperação exigida após as lesões no joelho. No ano seguinte, o craque retornou ao clube que o revelou e desaposentou a camisa 10 santista, que não era usada desde que Pelé pendurou as chuteiras. A homenagem foi recebida com um retorno marcado por altos e baixos, e muitas lesões. Neymar foi essencial para livrar o Santos do rebaixamento do Brasileirão em 2025 e fez boas atuações pelo clube, mas, por outro lado, passou por momentos de crises de imagem e muitos afastamentos para tratamentos musculares. Tal panorama contribui para que o atacante ficasse fora do radar de Ancelotti em todas as Datas Fifa que antecederam a convocação para a Copa. Com isso, o nome de Neymar na lista do treinador do Brasil era incerto, mas muito pedido pela torcida brasileira, que segue a elevar o craque por seus bons momentos. No dia 15 de maio, os brasileiros tiveram suas preces atendidas. Entretanto, assistiriam à mais uma baixa do atleta. No dia 17 de maio, quando ele estava em campo no confronto Santos x Coritiba, pelo Brasileirão. Durante a partida Neymar sofreu uma lesão de grau 2 na panturrilha, que só viria a ser confirmada no fim do mês. Desde então, o camisa 10, que foi convocado por Ancelotti, está em tratamento intensivo e só começou a treinar com o Brasil na última semana. — Um mês é um tempo compatível com uma recuperação prudente. Retomar os treinos nesse intervalo está dentro do esperado, mas liberado para treinar não é o mesmo que pronto para jogar 90 minutos. Numa lesão de grau 2, não basta a dor desaparecer. É preciso recuperar força, mobilidade, explosão, capacidade de sprint e, principalmente, observar a resposta muscular no dia seguinte ao esforço. Para um atleta com o histórico do Neymar, que tem 34 anos, muitas lesões e já passou por cirurgia importante no joelho, o retorno deve ser ainda mais criterioso, respeitando etapas progressivas, como corrida leve, aceleração, desaceleração, mudança de direção, treino com bola, contato e reavaliação a cada passo. O risco de recidiva existe, principalmente se ele voltar direto para um jogo intenso, com muitos minutos e alta exigência física — explica o ortopedista. Na última coletiva antes da partida desta quarta, Carlo Ancelotti afirmou que o atleta está pronto para integrar a sua equipe. Para a alegria da torcida brasileira, o camisa 10 foi relacionado para o confronto que acontece daqui a algumas horas e deve ter alguns minutos de jogo. — Neymar está disponível, trabalhou bem esta semana, pode jogar com os outros jogadores. Estamos muito contentes que ele está de volta porque, obviamente, com a qualidade dele, ele pode ajudar o time. Ele trabalhou muito bem, com muita seriedade, tentando se recuperar o mais cedo possível. Estou muito feliz com ele. O Neymar agrega experiência, conhecimento do jogo, ajuda os jovens, está fazendo muito bem — concluiu o treinador.
Com expectativa de estrear na Copa nesta quarta-feira, Neymar ficou fora de 287 jogos na carreira por lesões
Nos últimos 13 anos, o atleta sofreu 36 lesões e ficou cerca de 4 anos e meio passando por períodos de reestabelecimento









