Jonathan Gray, presidente, da Blackstone — Foto: Divulgação A Blackstone planeja investir US$ 30 bilhões em data centers de inteligência artificial (IA) no Japão nos próximos três a cinco anos, afirmou o presidente e diretor de operações, Jonathan Gray, em uma entrevista recente. Ele acrescentou que o risco de não construir recursos computacionais suficientes supera as preocupações com uma bolha de inteligência artificial. Até o momento, a Blackstone desenvolveu data centers no Japão com uma capacidade combinada superior a 500 megawatts. Gray disse ao “Nikkei Asia” que a empresa está em negociações para desenvolver instalações com capacidade superior a 1 gigawatt, equivalente à capacidade de um reator nuclear. Embora a Nvidia domine atualmente o mercado de chips de inteligência artificial, Gray afirmou que "acreditamos que haverá mais de um concorrente", considerando empresas como Google e Amazon como potenciais desafiantes. A Blackstone está colaborando globalmente com a Anthropic, com a qual ajudará empresas a instalar inteligência artificial, e com o Google, com quem fornecerá capacidade computacional de IA para seus clientes. As parcerias com essas duas empresas demonstram como a Blackstone pretende capturar todo o ecossistema, disse Gray. Gray afirmou que o ambiente de investimento em inteligência artificial está em um estágio muito inicial. "Há muita preocupação com a possibilidade de uma bolha na construção de sistemas computacionais", disse ele. "Na verdade, acredito que o risco real seja a escassez." Em relação aos setores onde o impacto da inteligência artificial será mais sentido, Gray disse: "Acredito que nossa área da saúde mudará drasticamente. Consequentemente, a qualidade da descoberta de medicamentos e do tratamento personalizado melhorará muito." Alguns expressaram preocupação de que a inteligência artificial leve ao fim do modelo de software como serviço (SaaS). Gray disse: "Os riscos reais estão em muitos dos negócios tradicionais", sugerindo que escritórios de advocacia, empresas de software, serviços de informação e consultorias podem ser substituídos pela inteligência artificial. "No curto prazo, o que temos visto é uma queda nos múltiplos desses negócios", disse ele. "A chave é: podemos ajudar a transformar esses negócios para que se tornem vencedores neste novo ambiente?", questionou. "As equipes de gestão precisam aceitar que o mundo mudou." A Blackstone também acelerará seus investimentos em private equity no Japão. Em junho, a Blackstone lançou seu maior fundo asiático até o momento, com US$ 13,1 bilhões. Gray afirmou que o Japão se tornará um mercado tão importante quanto a Índia ao se considerar os alvos de investimento do fundo. A Blackstone já realizou investimentos de private equity nos setores de saúde e tecnologia do Japão. Gray disse que manufatura avançada, componentes elétricos, robótica e defesa também são áreas atraentes. Em junho, a Blackstone anunciou que havia restringido alguns pedidos de resgate de seu principal fundo de crédito privado para investidores de varejo. "Acredito que, no curto prazo, veremos níveis elevados de pedidos, mas acho que diminuirão com o tempo", disse Gray. "O fator crucial será, em última análise, o desempenho", afirmou. "Esses produtos entregarão um prêmio, como têm feito, em comparação com empréstimos alavancados líquidos? Acredito que sim e, como resultado, acho que se estabilizarão." A Blackstone é uma das maiores gestoras do mundo especializada em investimentos alternativos. Ela está colaborando com a AirTrunk, uma empresa australiana adquirida em 2024, para desenvolver data centers.
Blackstone planeja investir US$ 30 bilhões em data centers de IA no Japão, diz presidente
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