Agentes da Polícia Civil estiveram na residência do ex-presidente, onde ele cumpre prisão domiciliar Ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) colheu nesta terça-feira (23) o depoimento de Jair Bolsonaro sobre uma arma em nome do ex-presidente que foi apreendida durante uma blitz. Os agentes ficaram aproximadamente 40 minutos na residência de Bolsonaro. A oitiva é realizada às vésperas do fim da prisão domiciliar temporária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O benefício foi concedido por 90 dias e o prazo termina nesta quinta-feira (25). Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e em março Moraes autorizou a domiciliar por questões de saúde. Segundo ministros do STF, o depoimento pode ser fator decisivo na decisão de Moraes de revogar ou não a domiciliar. Se o benefício for revogado, o ex-presidente pode ser enviado de volta ao 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda e conhecido como “Papudinha”. A arma foi apreendida no dia 15, durante uma blitz realizada pela Polícia Militar de Brasília. O objeto estava no assoalho do carro do sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança do ex-chefe do Executivo. A defesa de Bolsonaro admitiu que o ex-presidente tinha uma arma em casa. Disse, no entanto, que o equipamento estava inoperante e deixou a residência para reparos. Segundo o relato da abordagem policial, a arma estava registrada e foi retirada da casa do ex-presidente para ser consertada após seguranças tornarem o equipamento inoperante. De acordo com os advogados, auxiliares do ex-presidente retiraram o percussor da arma para que ela não funcionasse para garantir a segurança de Bolsonaro. Eles temiam manuseio indevido da arma em razão do quadro psiquiátrico de Bolsonaro. “Embora possuísse regularmente o armamento, as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas, capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante”, disse a defesa. Bolsonaro teria constatado que a arma não funcionava, mas não conseguiu identificar o motivo. Por isso, teria pedido ao auxiliar, que foi pego com o equipamento na blitz, que verificasse o armamento. Ao cobrar explicações, Moraes determinou que o 19º Batalhão da PMDF, responsável pelas medidas de segurança durante o regime domiciliar de Bolsonaro, esclarecesse se está sendo cumprida a ordem de revista nos carros que saem da residência do ex-presidente. Em ofício enviado à Corte, a PM disse que, como os veículos utilizados por agentes que seriam do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) não entram na garagem, pois ficam estacionados em via pública, eles não são submetidos a vistorias. O GSI, no entanto, afirmou em nota que não é responsável pela segurança de ex-presidentes, inclusive de Bolsonaro, e que Silva Filho, com quem estava a arma, não integra os quadros do órgão. “Os servidores à disposição dos ex-presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI”, explicou.