É a primeira paragem em Portugal de um projecto que já passou por Barcelona e Ibiza e que junta um barco-museu de 47 metros a um programa de concertos, performances e oficinas com nomes como Lula Pena, A Garota Não, Sopa de Pedra e Mike El Nite.O Festival Art Explora abriu portas na quinta-feira na Marina de Cascais, onde se mantém até dia 28 de Junho com um programa gratuito e aberto ao público. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Culturgest e com curadoria de Filipa Oliveira, directora do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, e de Raquel Ribeiro dos Santos, programadora de Participação na Culturgest, reúne concertos, performances, oficinas, cinema e experiências imersivas em torno de um eixo comum: a relação entre o Mediterrâneo e o Atlântico através do mar.No centro do festival está o barco-museu da Art Explora, um catamarã de 47 metros construído ao longo de três anos pelo estaleiro italiano Perini Navi e que já passou por cidades como Rabat, Tânger, Marselha, Veneza e Málaga. Depois de escalas em Barcelona e Ibiza, Cascais é a terceira paragem do projecto em 2026 e a primeira em Portugal, antes de o catamarã seguir viagem para duas cidades francesas e para a Tunísia. Desde que arrancou, em 2024, a iniciativa já recebeu mais de 400 mil visitantes em 14 escalas espalhadas por oito países.Amanda Rostello, gestora de projecto do Festival Art Explora, sublinhou na apresentação à imprensa que esta é já a 14.ª etapa da viagem do barco-museu e que o projecto nasceu de uma constatação simples: “cerca de 60% da população mundial vive junto ao oceano”, pelo que o fundador da Art Explora viu no mar “uma forma de aproximar a arte e a cultura das pessoas”. Segundo a responsável, o objectivo do festival é “tornar a cultura acessível ao maior número possível de pessoas”, na convicção de que “a arte e a cultura têm o poder de mudar vidas”.Philippe Rivière, director digital da Art Explora, destacou o entusiasmo da organização com a chegada a Cascais, descrevendo-a como “uma cidade absolutamente bonita”, de pessoas que classificou como “maravilhosas”. Philippe Rivière enquadrou a edição portuguesa como o resultado de uma colaboração próxima com a Culturgest, que junta aquilo que a Art Explora pode oferecer com aquilo que as duas instituições podem “criar em conjunto”, com o objectivo de complementar a experiência de diferentes públicos e ajudá-los a “descobrir tudo o que possa ser do seu interesse”.Já as curadoras Filipa Oliveira e Raquel Ribeiro dos Santos definem a chegada do catamarã a Cascais como parte de um percurso mais alargado: “o barco-museu que hoje chega a Cascais não representa um ponto de chegada, mas sim, um momento numa geografia relacional que liga territórios, línguas e práticas artísticas”, afirmaram.Mark Deputter, da Culturgest, situou a parceria na missão de longo prazo da fundação ligada à Caixa Geral de Depósitos: “enquanto fundação da Caixa Geral de Depósitos, a Culturgest sempre dedicou uma atenção especial à aproximação de práticas artísticas excepcionais e inovadoras a públicos alargados”, referiu, citando as criações de teatro e dança coproduzidas, os concertos e as exposições organizadas pelo país e os festivais internacionais acolhidos pela instituição. Para Mark Deputter, o Festival Art Explora “é um excelente exemplo de como práticas participativas e estratégias de programação ousadas podem ter um impacto positivo e duradouro”, sendo “particularmente gratificante” concretizar o projecto no quadro de uma iniciativa internacional com parceiros de toda a bacia do Mediterrâneo, “uma região que partilha uma imensa diversidade de práticas culturais há milhares de anos”. O festival conta ainda com o apoio da Embaixada de França e do Institut Français du Portugal.Barco-museu com viagem sonora e realidade virtualA bordo do catamarã, os visitantes têm acesso a duas experiências imersivas. No convés superior, uma viagem sonora de 11 minutos concebida pelo IRCAM, o Instituto Francês de Investigação em Acústica e Música sediado no Centro Pompidou, em Paris, recria paisagens sonoras naturais, urbanas e culturais gravadas em diferentes pontos do Mediterrâneo. No interior da embarcação, uma experiência de realidade virtual desenvolvida com a Ubisoft transporta o público para Alexandria, Atenas e Veneza em períodos de maior influência artística e arquitectónica destas cidades.O barco-museu está aberto diariamente entre as 10h00 e as 21h00, com última entrada às 19h45 e duração de visita de cerca de 45 minutos, mediante reserva.
Festival Art Explora chegou a Cascais
O festival itinerante francês instalou-se na Marina de Cascais até dia 28 de Junho, com entrada gratuita.






