Levantamento organizado pelo GLOBO reuniu 185 profissionais do audiovisual 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Eleição organizada pelo GLOBO apontou os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos — Foto: Arte O GLOBO "O Brasil só faz filme de favela e ditadura". Este é um comentário muito comum de se encontrar nas redes sociais. Mas é verdade? Claro que não! Divulgada na última sexta-feira (19), a lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, organizada pelo GLOBO, é reflexo de um cinema nacional de gêneros múltiplos e diversidade temática. Sim, a lista contempla dramas passados na ditadura militar, como os multipremiados "Ainda estou aqui", de Walter Salles, e "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho, e inclui obras que retratam a violência urbana das comunidades, como "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e "Tropa de elite", de José Padilha, mas também conta com produções de inúmeros gêneros. Entre os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo votação que reuniu 185 profissionais do audiovisual nacional, está, por exemplo, um musical sobre uma trupe de circo que se une contra os abusos e humilhações cometidas pelo dono do empreendimento. Estamos falando, é claro, de "Os saltimbancos trapalhões" (1981), clássico de J.B. Tanko que reúne Didi, Dedé, Mussum e Zacarias com músicas de Chico Buarque. Em "Chuvas de verão" (1978), Cacá Diegues retrata o romance na terceira idade entre um recém-aposentado (Jofre Soares) e sua vizinha (Miriam Pires). Outro romance, entre a dona de um bar que sonha em fugir e deixar tudo para trás (Yuri Yamamoto) e um marinheiro que acaba de chegar à cidade e quer ficar (Demick Lopes), movimenta a trama de "Inferninho" (2018), de Pedro Diógenes e Guto Parente. Ao longo das décadas, o Sertão e o Serrado brasileiro serviram de cenário para verdadeiros faroestes nacionais — ou seriam bang bang à brasileira? —, como em obras como "O cangaceiro" (1953), de Lima Barreto, e "Oeste outra vez" (2024), de Erico Rassi. Como dizer que o cinema brasileiro é uma coisa só se temos um thriller sobre duas mulheres com as vidas entrelaçadas pelo nascimento de um lobisomem ("As boas maneiras", de Marco Dutra e Juliana Rojas)? Ou um drama sobre menino do subúrbio que sonha em ser astronauta ("Marte um", de Gabriel Martins)? Ou uma comédia sobre moradores de cidadezinha que decidem fazer um curta-metragem para conseguir verba para uma obra de saneamento ("Saneamento básico, o filme", de Jorge Furtado)? Ou um suspense inspirado no caso real da Fera da Penha, mulher responsável por sequestrar, assassinar e queimar o corpo de uma criança de 4 anos, filha de seu amante ("O lobo atrás da porta", de Fernando Coimbra)? "Saneamento Básico, o Filme" vai voltar para os cinemas nacionais pela iniciativa Sessão Vitrine Petrobras — Foto: Divulgação E o que dizer de "Estômago", dramédia de Marcos Jorge, sobre homem que deixa o Nordeste a caminho de São Paulo e lá descobre a paixão pela gastronomia. Após uma traição amorosa, ele comete um crime que muda sua vida. Na prisão, usa o talento culinário para sobreviver. Dramas sociais como "Rio, Zona Norte" e "Manas" adaptações de clássicos literários como "Vidas secas" e "O auto da compadecida", obras experimentais como o clássico do cinema mudo "Limite", terrores como "À meia-noite levarei sua alma" — estreia do Zé do Caixão nas telas —, comédias românticas como "Todas as mulheres do mundo", road movies como "Cinema, aspirinas e urubus" e policiais como "O Bandido da Luz Vermelha" são reflexo de um audiovisual complexo e vasto. O top 100 organizado pelo GLOBO conta também com uma animação ("O menino e o mundo") e dois curtas (“Alma no olho” e “Ilha das flores”), além de 15 documentários, incluindo obras que misturam elementos da ficção e do documental, como “Branco sai, preto fica” (2014) e “Viajo porque preciso, volto porque te amo”. Por sinal, a lista de documentários na seleção também contempla a diversidade temática do cinema brasileiro. Temos obras sobre moradores em um prédio de Copacabana ("Edifício Master"), sobre o mordomo da família de um diretor ("Santiago"), sobre o massacre de tribos indígenas ("Serras da desordem"), sobre mulheres torturadas na ditadura ("Que bom te ver viva") e sobre a vida e sonhos de uma atriz que cometeu suicídio ("Elena").
100 melhores filmes: Com dramas, comédias, faroestes e musicais, lista mostra que cinema brasileiro vai além de favela e ditadura
Levantamento organizado pelo GLOBO reuniu 185 profissionais do audiovisual
728 words~3 min read






