Macron e Takaichi brincam de Dragon Ball em Tóquio — Foto: Reprodução: g1 O governo japonês está criando diversas estruturas de diálogo com nações parceiras, como França e Índia, para discutir o desenvolvimento da inteligência artificial em uma tentativa de reduzir a dependência excessiva das tecnologias americanas e chinesas. Os governos japonês e francês realizaram seu primeiro diálogo de alto nível sobre inteligência artificial na sexta-feira. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o presidente francês, Emmanuel Macron, concordaram em iniciar as conversas quando se encontraram em abril. O Japão foi representado por Takeshi Akahori, vice-ministro sênior de Relações Exteriores, juntamente com outros funcionários de agências relevantes responsáveis pela política de inteligência artificial. A discussão se concentrou no fortalecimento da "soberania da inteligência artificial", um conceito que envolve a construção independente de capacidades para gerenciar e operar dados e a tecnologia necessária. A França prioriza a construção de cadeias de suprimentos que não dependam dos Estados Unidos e da China, os dois líderes nesse campo. As discussões bilaterais continuarão, com o objetivo de consolidar uma colaboração concreta entre o Japão e a França. O uso da inteligência artificial na segurança nacional também esteve na agenda. Autoridades do Ministério da Defesa do Japão e da Secretaria-Geral de Defesa e Segurança Nacional da França participaram do encontro. Os dois lados compartilharam ideias sobre como aprimorar as capacidades de defesa nacional utilizando inteligência artificial. Empresas privadas de ambos os países também participaram das conversas. Representantes de cinco empresas japonesas estiveram presentes, incluindo os do SoftBank Group, que está construindo um centro de dados na França, e da startup Sakana AI. Cada empresa participante explicou seus esforços para aprimorar as capacidades de inteligência artificial em seu próprio país. O Japão está atrás dos Estados Unidos e da China no desenvolvimento de inteligência artificial e na penetração da tecnologia. O país busca recuperar terreno apoiando nações que planejam construir cadeias de suprimentos de inteligência artificial que não dependam das duas grandes potências. Além da França, o Japão concordou em estabelecer novas estruturas de consulta com a Índia, o Brasil, a Malásia e o Reino Unido somente neste ano. Muitos países do Sul Global temem se tornar as chamadas "colônias digitais", onde empresas de inteligência artificial americanas e chinesas extraem dados unilateralmente e lucram com eles. Eles também visam desenvolver grandes modelos de linguagem que reflitam o idioma e a cultura de cada país. As empresas de tecnologia japonesas possuem expertise no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial baseados na língua japonesa. Tóquio está convocando a comunidade internacional a trabalhar em prol de uma inteligência artificial segura, protegida e confiável. "Isso não é simplesmente ajuda, mas sim incorporar o crescimento econômico do Sul Global ao desenvolvimento do Japão", afirmou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores japonês. Em abril, o Japão realizou seu primeiro diálogo estratégico sobre inteligência artificial com a Índia. A Onestruction, fornecedora japonesa de dados de construção, assinou um memorando de entendimento com uma empresa indiana, com o objetivo de utilizar dados de projeto de construção, volume de tráfego e outros para o desenvolvimento urbano. O Japão também está se preparando para realizar seu primeiro encontro sobre inteligência artificial com o Brasil. As discussões explorarão maneiras de utilizar os serviços de empresas japonesas no desenvolvimento de terras raras e outros recursos minerais, bem como na agricultura. O Japão também está explorando a possibilidade de realizar um encontro inicial com a Malásia. As estruturas de diálogo sobre inteligência artificial abordarão as preocupações com a segurança econômica. A China está promovendo ativamente sua tecnologia globalmente. Se a tecnologia de inteligência artificial desenvolvida pela China se disseminar amplamente, existe o risco de que dados japoneses possam ser extraídos por meio de terceiros países. Isso poderá levar à análise dos dados em busca de fragilidades na tecnologia e no comércio japoneses.