Em nota, a entidade informou que realizou uma vistoria técnica no Complexo Penal de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, e concluiu que a unidade possui natureza penitenciária, não se enquadrando nos parâmetros estabelecidos pela jurisprudência para caracterização de Sala de Estado-Maior, local destinado ao recolhimento de advogados presos antes de condenação definitiva. Segundo a OAB-SP, sua atuação no caso é exclusivamente institucional e restrita à garantia das prerrogativas profissionais previstas no Estatuto da Advocacia. A entidade ressaltou que não se manifesta sobre o mérito das investigações, a legalidade da prisão preventiva ou a defesa técnica da custodiada. A Ordem informou ainda que os fatos envolvendo Deolane também são analisados pelo Tribunal de Ética e Disciplina da seccional paulista. O órgão apura a existência de eventual infração ético-disciplinar e avalia a possibilidade de aplicação de medida cautelar de suspensão preventiva do exercício profissional da advogada. De acordo com a OAB-SP, qualquer decisão será tomada com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Deolane é ré por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro baseado na transportadora de cargas, sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como controlada pela cúpula do PCC. A estrutura teria funcionado entre 2018 e 2025. Além de Deolane, foram denunciados também Marco Willian Herbas Camacho (vulgo "Marcola" ou "Narigudo"), Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo "Marcolinha" ou "Gordão"), irmão de Marcola; Everton de Souza; Leonardo Herbas Camacho, sobrinho de Marcola e Paloma Sanches Camacho, sobrinha de Marcola. Segundo o inquérito, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão. Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos. O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorria por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação. Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro. A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação e dissimulação de recursos ligados ao PCC. A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora. O Supremo Tribunal de Justiça já havia negado o pedido de liberdade de Deolane Bezerra. Por unanimidade, os ministros entenderam que o caso exige uma análise mais profunda, em razão da "gravidade" da apuração, e por isso é necessário aguardar que o Tribunal de Justiça de São Paulo se manifeste sobre os pedidos da defesa. O colegiado expediu uma recomendação para que a Corte estadual analise o caso com "celeridade". O entendimento do STJ foi o de que a decisão liminar do TJ-SP que manteve Deolane presa tem que ser mantida, vez que a Corte estadual ainda não analisou o mérito dos argumentos lá apresentados pela defesa. O relator do caso na Corte superior, ministro Ribeiro Dantas, afirmou que não há ilegalidade, na decisão do tribunal paulista, que justificaria um "pronunciamento antecipado" do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Em nota, os advogados da influencer afirmam que o recebimento da denúncia não representa conclusão acerca dos fatos imputados. "A defesa afirma que utilizará todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa, uma vez que sua cliente é inocente, seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada e Deolane não possui qualquer vínculo com o crime organizado", disseram os advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes. Quem é quem Deolane Bezerra: Deolane ganhou projeção nacional em 2021, após a morte de MC Kevin, de quem era noiva. Antes da fama, ela atuava como advogada criminalista e, com a repercussão do caso envolvendo MC Kevin, ampliou a atuação como influenciadora digital, participou de programas de TV e passou a ter forte presença no universo das apostas on-line. Ela já havia sido presa em 2024 pela Polícia Civil de Pernambuco durante uma operação contra uma organização investigada por lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Everton de Souza (ou "Player"): É apontado como o operador financeiro da organização criminosa. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, ele aparece dando orientações sobre distribuição de dinheiro e indicando para quais contas os recursos deveriam ser transferidos. Marco Willian Herbas Camacho (vulgo "Marcola" ou "Narigudo"): É apontado como o líder máximo do PCC. Mesmo isolado no sistema penitenciário federal, figura como beneficiário e controlador indireto do esquema de lavagem de dinheiro operado pela transportadora Lado a Lado. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (vulgo "Marcolinha" ou "Gordão"): Irmão de Marcola. É apontado como um dos proprietários da transportadora utilizada para lavagem de dinheiro e exercia controle decisório direto mesmo preso. Paloma Sanches Herbas Camacho: Sobrinha de Marcola e filha de Alejandro. Atuava como mensageira da cúpula, repassando ordens financeiras de seu pai para os operadores do esquema após visitas à penitenciária federal. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (vulgo "L"): Sobrinho de Marcola e filho de Alejandro. Identificado como beneficiário direto dos lucros da transportadora e de depósitos em espécie não identificados. Investigação teve início após apreensão de bilhetes manuscritos A prisão de Deolane durante a Operação Vérnix teve origem em uma investigação iniciada há seis anos, após a apreensão de bilhetes e manuscritos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro de um presídio em Presidente Venceslau. Segundo a investigação, o material apreendido em 2019 pela Polícia Penal na Penitenciária II de Presidente Venceslau deu origem a três inquéritos sucessivos que revelaram a estrutura financeira do PCC e levaram à identificação de operadores, familiares de Marco Herbas Camacho, o Marcola, e, posteriormente, da influenciadora. Os manuscritos estavam com dois presos e continham ordens internas da facção, contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos. Durante a análise do material, investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, apontada nos bilhetes como responsável por levantar endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa. A referência levou à abertura de um segundo inquérito, voltado a identificar a mulher citada e entender a ligação entre uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau e a facção. As diligências concluíram que a empresa funcionava como companhia de fachada usada para lavagem de dinheiro do PCC. Em 2021, a Operação Lado a Lado aprofundou as investigações e apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e uso da transportadora como braço financeiro da facção criminosa. Durante a operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. Segundo a investigação, o aparelho revelou detalhes sobre a lavagem de dinheiro realizada pela empresa Lado a Lado Transportes, também chamada Lopes Lemos Transportes. Os investigadores afirmam que Ciro comprava caminhões, realizava pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e do irmão dele, Alejandro Camacho, além de administrar patrimônio em nome dos dois. A partir da análise do celular surgiu uma nova frente investigativa relacionada a conexões financeiras com Deolane Bezerra. Segundo a polícia, imagens encontradas no aparelho mostram depósitos favorecendo contas de Deolane e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa. A investigação sustenta que valores da transportadora eram destinados a Marcola, Alejandro e familiares por meio de contas ligadas a Everton e à influenciadora.
OAB-SP pede para atuar em habeas corpus de Deolane após concluir que prisão não atende requisitos de Sala de Estado-Maior
Entidade afirma que acompanha o caso apenas sob a ótica das prerrogativas da advocacia e informa que Tribunal de Ética avalia eventual suspensão cautelar da advogada
Questo articolo non è rilevante per **Warptech Tech News**. È un caso legale brasiliano su money laundering e crimine organizzato — completamente fuori scope da una testata che serve manager IT, CTO e responsabili AI italiani. Controllare se l'articolo è stato passato per errore, o se lo scope editoriale è stato esteso oltre il tech/business/AI.






