Darío Sala, ex-River e Independiente, foi um dos primeiros argentinos na liga de futebol dos EUA. Hoje, se dedica à execução de um complexo esportivo, com investimento privado superior a US$ 280 milhões. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Darío Sala, ex-goleiro do River, Independiente e do Dallas FC, hoje desenvolve sua faceta como empresário — Foto: La Nacion RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/06/2026 - 12:59 Darío Sala lidera projeto esportivo de US$ 280 milhões em Miami Darío Sala, ex-goleiro argentino do FC Dallas, transformou-se em empresário nos EUA, liderando um projeto esportivo de US$ 280 milhões em Miami-Dade. O "Sports Performance Hub" visa desenvolver jovens atletas em várias áreas além do esporte. Sala, que já atuou na MLS e fundou o Jacksonville Armada FC, busca criar uma infraestrutura robusta para sustentar o progresso esportivo na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Boomtown é o termo com o qual os americanos descrevem as cidades que crescem em ritmo acelerado, impulsionadas por investimentos, tecnologia e construção civil. Ele se popularizou nos Estados Unidos no século XIX, durante a corrida do ouro, quando milhares de pessoas migraram para diferentes regiões do país após a descoberta do metal. Dallas, sede da segunda partida da seleção da Argentina, nesta segunda-feira, às 14h, contra a Áustria, no AT&T Stadium, é um dos exemplos mais claros. Entre o calor, a umidade e um movimento constante, a cidade recebe a Copa do Mundo em um de seus momentos de maior expansão. O futebol — soccer para os americanos — também acompanhou essa evolução, ainda que em um ritmo mais lento. Darío Sala, goleiro argentino de Córdoba que defendeu o FC Dallas entre 2005 e 2010, viveu esse processo de dentro: chegou a Major League Soccer (MLS), a liga de futebol dos Estados Unidos e do Canadá, que ainda disputava suas partidas em campos de futebol americano, com marcações sobre a grama que confundiam até os próprios jogadores. Hoje, radicado nos Estados Unidos, Salas tornou-se um empresário ligado ao esporte e é uma das lideranças de um megaprojeto que combina alto rendimento, educação e desenvolvimento imobiliário, do qual também fazem parte Emanuel Ginóbili, Juan Ignacio “Pepe” Sánchez, Juan Sebastián Verón, Martín Gramática, Juan Mónaco e Mariano Zabaleta, entre outras figuras do esporte. Sala guarda uma história particular: formado no Liceo Militar General Paz como subtenente de Infantaria, jogou handebol no Círculo de ex-Cadetes e chegou até a integrar uma seleção juvenil, mas depois acabou se inclinando pelo futebol. No caminho, estudou um ano de Direito, vendeu churros no estádio do Instituto, passeou com cães em Alta Córdoba e, mais adiante, formou-se como representante médico. Seus primeiros passos foram como atacante no Deportivo Colón, de Córdoba, até que um treinador percebeu seu porte físico e decidiu colocá-lo no gol. “Me chamavam de ‘Romário’: metade guarda-roupa, metade armário”, brinca, em conversa com o La Nacion. Já consolidado debaixo das traves, passou pelo Juventud Católica de Río Segundo, foi descoberto por Héctor Baley, reserva de Ubaldo Fillol na Copa de 1978, e levado para testes no Talleres. Depois passou por San Lorenzo, Belgrano e Los Andes, onde acabou se firmando e conquistou o acesso à Primeira Divisão. De lá foi para o River, na temporada 2000/2001. Sua trajetória também inclui passagens por Xerez, da Espanha, Independiente, Deportivo Cali, Newell’s, Jaguares de Chiapas e Arsenal, até sua aposentadoria no FC Dallas. Depois da aposentadoria dos campos, Darío Sala foi colunista de rádio, diretor esportivo, intermediário e hoje desenvolveu sua faceta como empresário — Foto: La Nación — Quando cheguei à MLS, a liga tinha apenas 12 equipes, divididas em duas zonas, e agora são mais de 30, com um nível e uma estrutura incríveis. Naquela época começavam a ser construídos os primeiros estádios específicos de futebol, que quase não existiam. Nos primeiros anos, jogávamos em campos de escolas de ensino médio — explica, acrescentando: — Em Dallas, tudo é progresso: quando cheguei, fazia apenas um mês que a franquia havia inaugurado seu estádio e um complexo esportivo que, naquele momento, era o maior do mundo. Ali entendi que a infraestrutura é fundamental para sustentar qualquer projeto, algo que explica por que Dallas é uma das grandes sedes desta Copa do Mundo. O que a Argentina vai encontrar em Dallas? — Uma das cidades de maior crescimento dos Estados Unidos. Mesmo durante a crise de 2008, quando o sistema financeiro colapsou por causa da bolha imobiliária, Dallas continuou se expandindo. Frisco, onde está o estádio do FC Dallas, era um campo com vacas e ovelhas. Hoje funcionam ali o complexo dos Dallas Cowboys, grandes empresas, campos de golfe e a sede principal da associação de golfistas dos Estados Unidos. Em 25 anos, passou de 40 mil para 250 mil habitantes. Ainda assim, o futebol não tem o mesmo peso que outros esportes. Sim, mas o crescimento é constante e em Dallas ele vem ganhando cada vez mais espaço. Nos Estados Unidos, de modo geral, a liga evoluiu. Aqui é difícil pensar um esporte sem a lógica do negócio e do espetáculo. Primeiro, apostaram no branding com a chegada de figuras de impacto global: David Beckham, Thierry Henry, Zlatan Ibrahimović, Kaká, Andrea Pirlo… Depois, entenderam que não dava para levar esses jogadores para treinar em campos que pertenciam a escolas de ensino médio de futebol americano e melhoraram todos os estádios e centros de treinamento. Em seguida, veio uma terceira etapa, focada no desenvolvimento de técnicos e novos talentos; e, mais tarde, a incorporação de jogadores jovens vindos de ligas importantes. Esse foi o ponto de partida para a seleção dos Estados Unidos que hoje surpreende na Copa do Mundo? Nesses 20 anos houve várias gerações. Teve a de (Landon) Donovan, (Tim) Howard e outros jogadores que deram o salto para o exterior: eram seis ou sete atletas em ligas importantes. Depois houve uma transição: esse grupo se aposentou e não aparecia uma reposição clara. Mais tarde surgiu a geração do Catar: Christian Pulisic, Weston McKennie, Tyler Adams, Yunus Musah. Essa já é uma base que se formou na MLS e depois deu o salto para fora. A liga começou em 1996 e os melhores jogadores não passavam pelo torneio: iam da universidade direto para tentar a carreira no exterior. Hoje o processo é diferente. É uma competição muito forte: há 30 equipes com orçamento para trazer não só jogadores da Europa, mas também jovens sul-americanos, da Argentina, Paraguai ou Chile. Antes vinham jogadores para encerrar a carreira; agora chegam em plena forma. Essa seleção é composta principalmente por atletas formados no sistema local, e esta Copa do Mundo é uma boa medida para avaliar esse progresso. Mais de 100 partidas pelo Dallas No FC Dallas, Sala somou mais de 100 partidas e se tornou um símbolo da franquia americana. Em 2010, dois meses antes de pendurar as chuteiras, foi titular em um amistoso contra a Inter de Milão que terminou 2 a 2, com gols de Diego Milito e Samuel Eto’o. No fim da carreira, também apresentou um programa de rádio na ESPN. Darío Sala, durante sua etapa como arqueiro do FC Dallas, onde disputou mais de 100 partidos — Foto: Victor Decolongon/Getty Images via La Nacion — Eu terminava um jogo e não ficava vendo o replay; pensava no que fazer no futebol depois que parasse de jogar — conta. Um ano depois, Sala foi contatado pelo atacante cordobês Mauro Rosales, com quem havia sido companheiro de equipe no Newell’s, para avaliar possibilidades de desembarcar na MLS. Sala atuou como intermediário e o colocou no Seattle Sounders, onde o atacante foi escolhido como a melhor contratação do ano. A partir desse acerto, participou de várias janelas de transferências e levou outros sete jogadores para a liga, embora sentisse que esse não era o papel que melhor se encaixava no seu perfil: — Esse trabalho eu chamo de ‘fazer babysitting’. É um lugar desconfortável: nem os clubes nem os jogadores gostam da figura do agente. Em 2014, Sala fundou junto com um sócio o Jacksonville Armada FC, com sede na Flórida, do qual foi proprietário e gerente-geral. Durante sua gestão, o clube competiu na North American Soccer League, uma liga que já foi a principal do país e que, em sua versão moderna, acabou sendo deixada de lado após a consolidação da MLS. Ele levou para o projeto 14 argentinos, como José Luis Villarreal e Guillermo Hoyos, atual treinador de Lionel Messi e Rodrigo De Paul no Inter Miami, e alcançou o recorde de público da categoria, superando clubes de tradição muito maior como o New York Cosmos, onde Pelé brilhou, com uma média de 10 mil espectadores. Mas nos Estados Unidos quem manda são os números, dentro e fora de campo. Assim, em 2015, Sala mudou de área e passou a trabalhar na organização de jogos internacionais da seleção. Entre eles, a vitória por 7 a 0 sobre a Bolívia, disputada em Houston, com dois gols de Lionel Messi, Ezequiel Lavezzi, Sergio Agüero e um gol de Ángel Correa. Durante essa experiência, criou um vínculo com Gerardo Martino, a quem chegou a acompanhar na coletiva de imprensa antes da partida, em um papel improvisado como tradutor. Dessa relação surgiu uma nova função: cuidar da logística do elenco. Ele acompanhou a equipe durante a Copa América Centenário, nos Estados Unidos, e optou por dar um passo ao lado após a renúncia do treinador, apesar da proposta da AFA para continuar junto à seleção sub-23 nos Jogos Olímpicos. O vínculo com o “Tata” não terminou aí: pouco depois, Sala sugeriu seu nome ao Atlanta United, que buscava um treinador para sua estreia na MLS, em 2017, e o ex-goleiro, além de fazer a ponte entre as partes, acabou se juntando como membro da comissão técnica. Depois, continuou nessa função ao lado de Gustavo Quinteros, hoje técnico do Independiente, na Universidad Católica, e mais tarde voltou a se afastar para tocar outros projetos. Hoje, ele está dedicado à execução e implantação do Sports Performance Hub, um campus de alto rendimento para jovens entre 13 e 18 anos que será construído em um terreno de 37 hectares em Miami-Dade, com um investimento privado superior a US$ 280 milhões. —Será um espaço onde os alunos vão morar, estudar e treinar: uma cidade dentro de outra. Eles não só terão a possibilidade de se desenvolver no esporte e talvez conseguir uma bolsa universitária, mas também de se formar em outras áreas, como hotelaria, marketing, análise de vídeo e coaching — detalha. Darío Sala com sua equipe trabalhando no novo projeto para o complexo esportivo — Foto: David Badia/La Nacion Além disso, a iniciativa prevê a construção de um estádio para 10 mil espectadores onde o Miami FC, vinculado ao mesmo grupo, disputará suas partidas. Como surgiu a iniciativa? — Entendíamos que não existia um espaço com essas características e nos propusemos a desenvolvê-lo do zero. Apenas 1% dos jovens chega ao profissionalismo, então também é preciso preparar o restante. Nos reunimos com vários atletas que foram número um em suas modalidades e, entre todos, tentamos montar a melhor estrutura possível. Recebemos consultas do mundo todo, do Oriente Médio ao Japão. Começamos a obra em 2 de março e já há lista de espera para inscrições. Em 2027 já haverá campos operacionais e um estádio provisório para o Miami FC, e depois continuaremos com o estádio principal e a escola, que ficará pronta para o ano letivo de 2028. Como você vê a Argentina na Copa do Mundo? Muito bem. É uma pena que a Finalíssima não tenha sido disputada, porque teria sido uma boa referência, além da estreia. Hoje, há quatro ou cinco seleções nesse nível: França, Espanha, Argentina, Inglaterra, Brasil. Está tudo muito equilibrado, como se viu na final de 2022. Nos Estados Unidos, há uma febre impressionante com Lionel Messi e a seleção. Você vai ao supermercado com uma camisa e te cumprimentam como se você fosse um jogador. Como argentino, espero que o título se repita. Como treinador, sei que será muito difícil, embora a Argentina, nessas fases, sempre entregue algo a mais e acabe fazendo a diferença.
Argentino chega a Dallas como goleiro, vira empresário e hoje se dedica a projeto milionário. Saiba quem é
Darío Sala, ex-River e Independiente, foi um dos primeiros argentinos na liga de futebol dos EUA. Hoje, se dedica à execução de um complexo esportivo, com investimento privado superior a US$ 280 milhões.
Ex-goleiro argentino Darío Sala lidera Sports Performance Hub (US$ 280 mi) em Miami com modelo de infraestrutura + educação + real estate. Trend em boomtowns: capital privado + empreendedores-atletas + desenvolvimento integrado refletem alocação emergente em regiões de crescimento acelerado.












