PUBLICIDADE Petista aposta na proximidade com artistas historicamente ligados à esquerda, enquanto filho do ex-presidente busca reforçar pontes com universo sertanejo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Do sertanejo à MPB, Lula e Flávio buscam artistas para ampliar alcance de campanhas — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 20:37 Lula e Flávio Bolsonaro Disputam Apoio Cultural na Eleição Na corrida presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro direcionam esforços ao meio cultural para ampliar alcance. Lula aposta em artistas históricos da esquerda e no apoio de Janja, enquanto Flávio busca aliança com o sertanejo para atrair o eleitorado rural e do agronegócio. Ambas as campanhas visam expandir suas bases e engajar públicos estratégicos, utilizando figuras influentes fora do ambiente político tradicional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A disputa por apoios no meio cultural virou mais uma frente da corrida presidencial, com campanhas tentando dialogar com públicos estratégicos e ampliar alcance. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na proximidade com artistas historicamente ligados à esquerda e ao círculo da primeira-dama Rosângela da Silva, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca reforçar pontes com o universo sertanejo para impulsionar sua candidatura ao Planalto. No campo governista, Janja atua como interlocutora de artistas, músicos e produtores culturais próximos ao petismo. Ela mantém relação com nomes da MPB, que participam de eventos e manifestam apoio a Lula. Em 2022, ajudou a recriar um jingle histórico do petista e teve atuação informal na coordenação cultural. Também tem influência no Ministério da Cultura, sendo próxima da ministra Margareth Menezes e do secretário-executivo Márcio Tavares. Aliados esperam que Janja reedite esse papel, organizando eventos culturais durante a campanha nas cidades em que o presidente viajar para participar de atividades eleitorais. A agenda oficial deve começar em julho. Do outro lado, a campanha de Flávio investe no universo sertanejo, segmento com forte identificação com o eleitorado do interior e do agronegócio. O cantor Gusttavo Lima, por exemplo, já declarou apoio a Jair Bolsonaro e mantém proximidade com a família. Em abril, apareceu em vídeo com Flávio homenageando Zezé di Camargo. Na ocasião, Flávio usava uma camiseta escrita “o agro é top”. A estratégia, agora, incluiu um encontro reservado com representantes do sertanejo, realizado na última terça-feira em Brasília. Integrantes da campanha afirmam que a agenda faz parte de um esforço mais amplo para aproximar o candidato de personalidades com influência fora do ambiente político tradicional. Engajamento Nos últimos meses, o senador participou de eventos do setor, como feiras agropecuárias, onde acompanhou shows e interagiu com artistas. A comunicação da campanha também reflete essa aposta: o jingle “Vem com Fé” traz referências ao sertanejo e tem sido usado em eventos e redes sociais. Auxiliares de Flávio avaliam que o apoio de artistas pode ajudar a reduzir resistências junto a segmentos que o conhecem pouco ou o associam apenas à imagem do pai, de forma a ampliar sua capilaridade impulsionado, inclusive, por referências mais ligadas ao mundo “pop”. A avaliação é que, embora celebridades raramente transfiram votos de forma direta, elas ajudam a ampliar alcance e gerar engajamento nas redes sociais. A movimentação ocorre em um momento em que tanto Lula quanto Flávio tentam expandir suas bases eleitorais para fora de suas “bolhas” na busca por eleitores “independentes”. — Eu sei que o Flávio gosta muito de música sertaneja. Nós fomos juntos em um evento, a Fenamilho, em Patos de Minas, que tem muito show. Como a agenda de pré-candidato é muito corrida, a gente acabou não conseguindo ver shows. Mas o Flávio até montou num cavalo que arrumaram para a gente dentro do parque — disse o deputado e pré-candidato ao Senado por Minas Gerais Domingos Sávio (PL). Do lado de Lula, interlocutores destacam que a relação com artistas é “sólida e positiva”. Também há tentativa de aproximação com o sertanejo para reduzir resistências. A campanha deve explorar resultados da gestão na cultura, como a recriação do ministério e investimentos via Lei Paulo Gustavo, além de contrastar com o governo Bolsonaro, crítico de uma ala de artistas. A secretária de Cultura do PT, Viviane Martins, afirma que é preciso destacar didaticamente essa comparação entre os dois governos: — É inegável a mudança imensa de resultados na cultura do que foi de um governo para o outro. Em 2022, a campanha de Lula reeditou o jingle “Sem medo de ser feliz”, de 1989, com participação de artistas como Chico Buarque e nomes da televisão, reforçando sua tradicional conexão com o meio cultural.